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| Plinio Corrêa de Oliveira Baldeação ideológica inadvertida e Diál. IntraText CT - Texto |
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A. Um ponto de impressionabilidade
Como ponto de partida, supõe o método, naqueles sobre os quais se aplicará, uma impressionabilidade especial quanto a determinado assunto.
* Na ordem dos problemas sociais, esse ponto de impressionabilidade será, por exemplo:
- Uma injustiça flagrante, como pode haver em certos privilégios de classe;
- Um risco particularmente temível, como o de uma revolução social;
- Uma desgraça presente, como a fome, ou a doença.
* Na ordem dos problemas ideológicos - filosóficos, religiosos, etc. - o ponto de impressionabilidade pode ser, entre outros:
- O infortúnio dos que estão em erro - hereges, judeus, pagãos e outros irmãos separados9, por exemplo - e a premente necessidade que há em os esclarecer e instruir;
- A vitória em escala local ou mundial, tida por iminente, de uma ideologia errada - o marxismo, por exemplo - com toda a cadeia de conseqüências religiosas, culturais e morais daí derivadas;
- O risco de, pelo embate crescente das ideologias e dos regimes opostos, se agravarem até o paroxismo da guerra termonuclear as perigosas tensões que atormentam o mundo contemporâneo.
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9 Usamos várias vezes, ao longo do presente estudo, a expressão "irmãos separados", hoje tão em voga. Entremeamo-la de quando em vez com as palavras "herege" e "cismático", que em certos ambientes vão sendo sempre menos usadas. E agimos assim intencionalmente, pois "irmãos separados" é uma expressão que vai sofrendo, ela também, um uso talismânico. Todos os homens, por haverem sido criados pelo mesmo Deus e descenderem do mesmo casal primeiro, são irmãos. A um título ainda mais nobre são irmãos os que crêem em Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Redentor do gênero humano, e em nome dEle foram batizados. Por mais profundas e fortes que sejam as divergências entre os homens, estes títulos de fraternidade nem por isto desaparecem. Nada mais legítimo, pois, do que a qualificação de "irmãos separados". Dizer "legítimo" é ainda dizer pouco. A expressão, que contém uma evidente acentuação no substantivo "irmãos", tem o mérito de dar, aos que a usam, uma consciência mais viva e atual desse sobrepairar dos vínculos fraternos acima das divisões. E a tal título constitui um fator útil para aproximações apostólicas preciosas. Todavia, se é preciso, por vezes, acentuar que tantos homens separados de nós são nossos irmãos, não menos necessário é acentuar em outras ocasiões que esses irmãos não são irmãos quaisquer, mas pelo contrário estão de nós profundamente separados. Pois é na devida e inteira avaliação de ambos os elementos - fraternidade e separação - que está a verdade plena a respeito da situação dos não católicos em face dos católicos. Ora, a natureza dessa separação as palavras "heresia" e "cisma" a exprimem com admirável precisão moral e canônica, trazendo à mente a autoridade magisterial e jurídica da Igreja, a enorme gravidade do erro ou da revolta contra esta, a severidade das sanções eclesiásticas e a necessidade de se precaverem os católicos do contágio dos infiéis. Assim, rarear o uso das palavras "herege" e "cismático", ou até suprimi-las, para só falar em "irmãos separados", importa em uma verdadeira mutilação talismânica do alcance real dessa separação. Mutilação essa particularmente danosa em um clima infestado de irenismo e relativismo religioso, como é o nosso. Isto nos poderia levar tão longe, que certa revista católica holandesa perguntou, com espírito, quando começaremos a proscrever a palavra "demônio" para só usar "anjo separado". |
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