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Plinio Corrêa de Oliveira
Baldeação ideológica inadvertida e Diál.

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  • Capítulo IV-Um exemplo de palavra-talismã: "diálogo"è
    • 2. A fermentação emocional irenista
      • J. A revolta, elemento emocional típico do utopista irênico
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J. A revolta, elemento emocional típico do utopista irênico

 

Porque assim pensa, o católico verdadeiro é o contrário do utopista. Este, alheio à luz da fé, considera o erro, o mal e a dor como contingências absurdas da existência humana, que o indignam. É natural ao homem revoltar-se contra esta tríade de adversários, pensa ele. E, como o utopista não toma em consideração a existência de outra vida, é levado a julgar evidente, forçoso, indiscutível que se pode acabar por eliminar a dor, o mal e o erro. Pois do contrário deveria admitir que a própria ordem do ser é absurda. Nisto está essencialmente o fundamento de sua utopia. É explicável que para o utopista a vida não possa ter normalmente um sentido legítimo de luta, de prova e de expiação, mas só de paz macia e regalada. Ele é, assim, e por definição, pacifista "à outrance", ultra-ecumênico, ultra-irênico. E nenhum de seus sonhos teria coerência interna, nenhum seria capaz de o satisfazer inteiramente, se não incluísse a supressão de todas as lutas e de todas as controvérsias.

 

Bem entendido, o paraíso terreno de base científica e técnica sonhado pelo utopismo comporta a satisfação das paixões humanas, não apenas no que elas têm de temperante e legítimo, mas ainda no que têm de mais tempestuoso, desregrado e ilegítimo. Pois a mortificação das paixões é incompatível com esse "paradisismo".

 

Entre as paixões desordenadas, o orgulho e a sensualidade ocupam um lugar proeminente. Eles marcam o utopista com duas notas principais: o desejo de ser supremo em sua esfera, não aceitando sequer um Deus transcendente, e a tendência a uma plena liberdade na satisfação de todos os instintos e apetências desregradas.

 

O utopista, porque crê só nesta vida, julga inerente à natureza das coisas a possibilidade de obter deste mundo toda a satisfação que seu ser apetece. Espera ele conseguir efetivamente tal satisfação por meio de seus esforços. É o mundano por excelência, pois põe neste mundo todas as suas esperanças23.

 

 

 

 




23 Bem se vê que a palavra "mundano" não é aplicada aqui no sentido corrente, de pessoa excessivamente afeita à vida de sociedade elegante, requintada, e tantas vezes frívola. A frivolidade é sempre um mal. A elegância e o requinte em si são louváveis, e se o frívolo é um dos tipos do mundano em nosso sentido da palavra, o elegante e requintado podem não o ser.






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