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| Plinio Corrêa de Oliveira Baldeação ideológica inadvertida e Diál. IntraText CT - Texto |
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2. Os matizes da opinião pública e a baldeação ideológica inadvertida
Para responder à pergunta, é preciso ter em linha de conta que nessa maioria se devem discernir três filões: os elementos simpáticos em alguma medida ao comunismo, os elementos categoricamente hostis a este, e os vagamente hostis ao comunismo que em face dele tomam uma atitude de inércia.
Em relação a cada um desses filões, a estratégia comunista apresenta um aspecto peculiar:
* Quanto aos elementos simpáticos em parte ao comunismo, foram eles atingidos pelo proselitismo comunista, mas de modo incompleto. Do marxismo aceitam algo, e principalmente a hostilidade à Religião, à tradição, à família e à propriedade. Porém, não o levam às últimas conseqüências. São os socialistas e os progressistas de todo matiz uns inocentes-úteis, outros cúmplices do comunismo. Aos inocentes-úteis trata este de coligar em agrupamentos esquerdistas não especificamente marxistas. Aos cúmplices, procura colocar quanto possível em postos-chave desses agrupamentos. A tais agrupamentos, utiliza como aliados na luta para a derrubada da atual ordem de coisas, e para a conquista do poder. Obtido tal resultado, esses infelizes comparsas se verão alijados, perseguidos e destruídos, se não aderirem desde logo ao partido comunista e a ele não se sujeitarem sem reservas.
* Quanto aos elementos categoricamente hostis ao comunismo e não raro até militantes contra ele, cumpre alvejá-los com uma ofensiva psicológica total que vise desorganizá-los, desanimá-los e reduzi-los à inação. Para isto, é especialmente útil agir contra os líderes anticomunistas. É preciso que se sintam espionados fora e até dentro de suas organizações, rodeados de traidores, divididos entre si, incompreendidos, difamados e isolados dos outros setores da opinião, afastados das posições-chave do país, e dos meios de publicidade, e de tal maneira perseguidos em suas atividades profissionais, que, bastando-lhes apenas o tempo para prover à própria subsistência, se vejam o quanto possível impedidos de atuar seriamente contra o marxismo.
As ameaças de vingança pessoal contra eles e suas famílias também são utilizadas não raras vezes, pelo comunismo, para impedir a ação desses bravos.
* Quanto aos elementos indiferentes ao problema comunista, antipáticos ao comunismo em graus diversos, mas que não chegam à hostilidade militante, são eles, por assim dizer, a maioria dentro da maioria. A esses, já que se mostram refratários a toda técnica de persuasão explícita, só existe para o comunismo um meio de atrair. É a técnica de persuasão implícita. Como é natural, para operar esta última, o partido comunista não pode mostrar-se. Ele deve escolher agentes de aparência não comunista, ou até anticomunista, que atuem nos mais diversos setores do corpo social. Quanto mais insuspeitos de comunismo parecerem, tanto mais eficazes serão. No plano da ação individual, por exemplo, um grande capitalista, um político burguês proeminente, um aristocrata ou um clérigo serão para isto de muito maior eficiência do que um pequeno burguês ou um operário.
Sobre este setor da opinião pública, muito podem em favor do comunismo os partidos políticos, os jornais e os outros meios de publicidade que, aparentando todas as garantias de não serem comunistas, entretanto não vêem na luta contra a seita vermelha uma necessidade contínua e de capital importância nos dias que correm.
Uns e outros - isto é, pessoas, partidos políticos, órgãos de publicidade -prestam ao comunismo um primeiro e precioso concurso, pelo simples fato de entreterem no setor em questão um clima de superficialidade de espírito, bem como de otimismo fácil e despreocupado no que diz respeito à ameaça comunista. Pois assim as organizações anticomunistas ficam implicitamente vistas como apaixonadas e exageradas pela maior parte da opinião pública, que normalmente poderia e deveria dar-lhes apoio. E de outro lado se impede que nessa maioria, advertida da gravidade hodierna do perigo, os indiferentes passem à antipatia contra o comunismo, e os anticomunistas não militantes entrem na luta.
Ambos estes frutos são preciosos para o marxismo, pois lhe evitam um grande mal. Enquanto ele recruta à vontade seus quadros de militantes, penetra e articula as organizações de inocentes-úteis, e executa contra a sociedade, auxiliado por estes elementos, sua faina destruidora contínua e inexorável, a maior parte da opinião pública, que reagiria se tivesse consciência da real gravidade do perigo, fecha os olhos para ele, cruza os braços, e deixa livre curso ao adversário.
Tal resultado é muito considerável. Mas não basta para o comunismo, Essa maioria, ele a adormece porque não a conseguiu conquistar. Enquanto não a conquistar, ficará reduzido a progressos lentos. E se algum dia esses progressos tomarem corpo e se tornarem indisfarçáveis, haverá sempre o risco de que a maioria displicente e inadvertida se sobressalte e entre na luta.
Assim, não pode a seita vermelha contentar-se com exercer sobre tal setor a ação neutralizadora e anestesiante que acabamos de descrever.
O comunismo foi bem sucedido em fundar partidos por quase todo o mundo, em articular sob seu comando as esquerdas, em desmantelar e inutilizar incontáveis organizações anticomunistas. Ele fracassou quando quis fazer aceitar pelas maiorias sua doutrina. E é a essas maiorias que, além de neutralizar, ele precisa absolutamente persuadir, se quiser vencer em nosso século sua grande batalha.
Como fazê-lo? Se é esse vastíssimo setor que se trata de persuadir, obviamente é sobre ele que se trata de agir.
A técnica de persuasão implícita mais apropriada para o estado de espírito em que se encontra a maioria é a baldeação ideológica inadvertida.
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