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Motivos de confiança
4. Estas dolorosas
averiguações conclamam ao dever da vigilância e despertam o
senso da responsabilidade. Almas sem confiança vêem apenas trevas
tomando conta da face da terra. Nós, porém, preferimos rearmar
toda a nossa confiança em nosso Salvador, que não se afastou do
mundo, por ele remido. Antes, mesmo, apropriando-nos da
recomendação de Jesus, de saber distinguir "os sinais do
tempo" (Mt 16,3), pareceu-nos vislumbrar, no meio de tanta treva,
não poucos indícios que dão sólida esperança
de tempos melhores para a Igreja e a humanidade. Pois mesmo as guerras
sangrentas que se seguiram em nossos tempos, as ruínas espirituais
causadas por tantas ideologias e os frutos de experiências tão
amargas, não se processaram sem deixar úteis ensinamentos. E o
progresso científico, que deu ao homem a possibilidade de criar
instrumentos catastróficos para a sua destruição, fez com
que se levantassem interrogações angustiosas: obrigou os seres
humanos a se tornarem mais ponderados, mais conscientes dos próprios
limites, mais desejosos de paz, atentos à importância dos valores
do espírito; acelerou o processo de mais estreita
colaboração e mútua integração entre os
indivíduos, classes e nações, à qual, embora entre
mil incerteias, parece já encaminhada a família humana. Tudo isto
facilita, sem dúvida, o apostolado da Igreja, pois muitos que ontem não
percebiam a importância de sua missão, hoje, ensinados pela
experiência, estão mais dispostos a acolher suas
advertências.
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