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Ioannes Paulus PP. II
Ecclesia in Oceania

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  • CAPÍTULO I  - JESUS CRISTO E OS POVOS DA OCEÂNIA
    • A Assembleia Especial do Sínodo
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A Assembleia Especial do Sínodo 

O tema 

8. Como resultado das sugestões do Conselho Pré-Sinodal que teve em vista as preocupações dos bispos da Oceânia, foi escolhido para a Assembleia Especial da Oceânia o tema seguinte: Jesus Cristo e os povos da Oceânia seguindo o seu caminho, proclamando a sua verdade e vivendo a sua vida. Inspirando-se nas palavras do evangelho de S. João, quando Jesus afirma de Si mesmo que é o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. 14, 6), o tema recorda o convite que Ele estende a todos os povos da Oceânia: estes são convidados a encontrá-Lo, a crer n'Ele e a proclamá-Lo como o Senhor de todos. Lembra também que a Igreja na Oceânia se reúne como Povo de Deus caminhando em peregrinação para o Pai. Através do Espírito Santo, o Pai chama individual e comunitariamente os crentes a seguirem o caminho que Jesus seguiu, a proclamarem a todas as nações a verdade que Jesus revelou, a viverem plenamente a vida que Jesus viveu e continua a partilhar connosco

O tema é particularmente apropriado para a Igreja na Oceânia de hoje, porque os povos do Pacífico estão a lutar pela própria unidade e identidade; há neles a preocupação pela paz, a justiça e a salvaguarda da criação; e muitas pessoas andam à procura de significado para a sua vida. Só aceitando Jesus Cristo como Caminho é que os povos da Oceânia poderão encontrar aquilo por que agora aspiram e lutam. O caminho de Cristo não se pode percorrer sem um ardente sentido da missão; e o centro da missão da Igreja é proclamar Jesus Cristo como a Verdade viva - uma verdade revelada, uma verdade explicada, compreendida e acolhida na , uma verdade transmitida às novas gerações. A verdade de Jesus é sempre maior que nós mesmos, maior que os nossos corações, porque brota das entranhas da Santíssima Trindade; é uma verdade que incita a Igreja a dar resposta aos problemas e desafios de hoje. À luz do Evangelho, nós descobrimos Jesus como a Vida. A vida de Cristo é oferecida também como graça regeneradora, que leva a humanidade a ser aquilo que o Criador quis que fosse. Viver a vida de Cristo comporta um profundo respeito por cada vida; e implica também uma espiritualidade viva e uma moralidade autêntica, reforçada pela palavra de Deus na Escritura e celebrada nos sacramentos da Igreja. Quando os cristãos vivem a vida de Cristo com uma profunda, a sua esperança torna-se mais robusta e a sua caridade mais transbordante. Era este o objectivo do Sínodo, e o mesmo se propõe a nova evangelização para qual o Espírito Santo está convocando a Igreja inteira

A experiência 

9. Foi providencial que a Assembleia Sinodal tivesse começado na solenidade de Cristo Rei, quando a Igreja celebra Jesus como o Senhor, por quem o Reino de Deus se estabeleceu em todo o mundo e na história inteira. Durante os dias da Assembleia, pôde ver-se claramente que era Cristo quem abria o caminho e reinava no meio da Assembleia. As liturgias de abertura e encerramento continham sinais e símbolos tomados das culturas das ilhas do Pacífico como expressões de e de reverência. Numa harmoniosa junção, estas cerimónias exprimiram a unidade na diversidade da e do culto; e mostraram admiravelmente como a católica se estende até às costas mais longínquas do Grande Oceano e como todos encontram a sua casa na Igreja de Cristo. Numa simbólica permuta de dons, as liturgias manifestaram a profunda communio que existe entre a Igreja de Roma e as Igrejas particulares da Oceânia. Os bispos trouxeram a sua vasta gama de experiências e de tesouros culturais e foram, por sua vez, fortalecidos no vínculo da communio local e universal, servindo-lhes de grande consolação e estímulo para o futuro

Atendendo aos traços específicos da Igreja na Oceânia, pareceu oportuno convocá-la numa Assembleia Sinodal aparte. Os bispos da Oceânia estão organizados em quatro Conferências que, por sua vez, se agrupam na Federação das Conferências dos Bispos Católicos da Oceânia (FCBCO). O número total de bispos é relativamente pequeno, pelo que o Sínodo pôde ver reunidos todos os bispos que estão no activo, estando assim presentes todas as Igrejas particulares. Para muitos participantes, foi uma verdadeira descoberta dos dons religiosos, das culturas e da história dos povos da Oceânia. Ficaram mais conscientes das graças, frequentemente escondidas e ignoradas, que o Senhor concedeu à sua Igreja, sendo isto também uma fonte de grande encorajamento. O diálogo e discernimento do Sínodo abriram os olhos do coração e da mente, para descobrir o que se pode fazer para que a cristã seja vivida de maneira mais plena e eficaz. E os tesouros descobertos ou avaliados de novo constituem outras tantas razões para louvar e dar graças a Deus

Para os bispos, a Assembleia foi uma experiência de fraternidade e communio ao redor da de Pedro. O facto de se ter realizado no Vaticano permitiu a todos os participantes « sentirem-se em casa » com o Bispo de Roma; e, reciprocamente, concedeu ao Bispo de Roma « sentir-se em casa » com eles e ouvir da sua boca quanto apreciaram esta experiência única de universalidade da Igreja. O sentido de unidade e fidelidade fez superar as grandes distâncias geográficas e culturais entre Roma e a Oceânia, sendo esta experiência um dos muitos dons que Cristo, na sua bondade, concedeu durante o Sínodo

Os Padres Sinodais experimentaram também um novo e mais forte sentido de identidade e communio de uns com os outros. Muitos deles vivem separados por grandes distâncias, não sendo fácil uma comunicação regular. A diversidade de culturas na Oceânia é um constante desafio para toda a Igreja trabalhar por maior unidade. Os bispos desejam reforçar a sua communio e ajudar os povos da Oceânia a colaborarem mais eficazmente entre si. Enquanto porção única da Igreja universal, as Igrejas particulares nesta região do mundo sabem que podem e devem contribuir com os seus dons específicos para a Igreja inteira. Peço ao Senhor que os bispos da Oceânia possam, como fruto do Sínodo, sentir-se cada vez mais parte uns dos outros e que são, com as suas Igrejas particulares, parte integrante da Igreja universal, à qual proporcionam um especial enriquecimento.(13) 

Foi significativo que a Assembleia Sinodal se tivesse realizado no tempo de imediata preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000. A bula Incarnationis mysterium, que anunciava o Jubileu, foi promulgada durante o período do Sínodo,(14) e a própria Assembleia foi uma oportunidade para a Igreja na Oceânia se preparar para o dom do Ano Santo. Com certeza, a Assembleia ajudou as Igrejas do Pacífico a celebrarem o Jubileu com um renovado empenho na procura da reconciliação e da paz, mais conscientes ainda de que « a Igreja, tendo recebido de Cristo o poder de perdoar em seu nome, é, no mundo, a presença viva do amor de Deus que Se inclina sobre toda a fraqueza humana para a acolher no abraço da sua misericórdia ».(15) Um fruto maravilhoso do Ano Santo há‑de ser a Igreja na Oceânia, revigorada de tantos modos pela experiência do Sínodo, continuar a levar à prática as intuições e apelos do Jubileu, cujas linhas estão sugeridas na carta apostólica Novo millennio ineunte. Tendo proclamado o abismo infinito da misericórdia de Deus revelada em Cristo, o Jubileu gerou novas energias para enfrentar os desafios que o Sínodo identificou e debateu.(16) O Pai, « no amor que perdoa, antecipa os novos céus e a nova terra »: (17) possa esta visão dos novos céus e da nova terra atrair os povos da Oceânia de forma incessante e cada vez mais intensa para esta novidade de vida!

  




13) Cf. Assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a Oceânia, Relatio post disceptationem, 2. 



14) No dia 29 de Novembro de 1998



15) João Paulo II, Bula Incarnationis mysterium (29 de Novembro de 1998), 9: AAS 91 (1999), 137. 



16) Cf. propositio 15. 



17) João Paulo II, Bula Incarnationis mysterium (29 de Novembro de 1998), 11: AAS 91 (1999), 141. 






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