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Ioannes Paulus PP. II
Ecclesia in Oceania

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  • CAPÍTULO II - SEGUINDO O CAMINHO DE JESUS CRISTO NA OCEÂNIA
    • Comunhão e missão
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Comunhão e missão

Chamamento à missão 

13. A Igreja na Oceânia recebeu o Evangelho de anteriores gerações de cristãos e de missionários vindos de além-mar. O Sínodo prestou homenagem a tantos missionários C sacerdotes, religiosos e religiosas e leigos também C que gastaram as suas vidas na transmissão do Evangelho neste Continente; (33) o seu sacrifício, por graça de Deus, deu muito fruto. Quando receberam a plenitude da redenção em Cristo, os povos da Oceânia encontraram um símbolo admirável no firmamento estrelado, o Cruzeiro do Sul, que permanece como sinal luminoso da graça e bênção de Deus que a todos abraça.(34) A geração cristã actual é chamada e enviada a realizar uma nova evangelização no meio dos povos da Oceânia, uma nova proclamação daquela verdade duradoura evocada pelo símbolo do Cruzeiro do Sul. Este chamamento à missão coloca grandes desafios, mas abre também novos horizontes, cheios de esperança e até uma sensação de aventura

Tal chamamento é dirigido a cada membro da Igreja. « Toda a Igreja é missionária, porque a actividade missionária (...) é uma parte integrante da sua vocação ».(35) Alguns membros da Igreja são enviados a povos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo, e a sua missão permanece vital hoje como sempre; mas muitos mais são enviados a evangelizar o seu próprio ambiente, tendo os Padres Sinodais sublinhado repetidamente a missão dos fiéis leigos: na família, no emprego, na escola, nas actividades públicas, todos os cristãos podem ajudar a levar a Boa Nova ao mundo onde vivem

Uma comunidade cristã não deve pensar simplesmente em ser um lugar confortável para os seus membros; os Padres Sinodais animaram as comunidades locais a olharem para além dos seus interesses imediatos interessando-se pelos outros. A paróquia enquanto comunidade não pode isolar-se das realidades que a circundam; pelo contrário, deve estar atenta aos problemas de justiça social e à fome espiritual da sociedade. O que Jesus oferece aos seus seguidores deve ser partilhado com todos os povos da Oceânia em qualquer situação que se encontrem, porque só n'Ele existe a plenitude da vida

Desafios 

14. Os Padres Sinodais manifestaram ardentemente o desejo de ver Jesus Cristo escutado e compreendido pelas pessoas confiadas aos seus cuidados e por muitos mais; concluíram que há necessidade de ir ao encontro daqueles que vivem com suas esperanças e anseios insatisfeitos, dos cristãos só de nome, e de quantos se afastaram da Igreja devido talvez a experiências negativas. Dever-se-ia fazer todo o esforço possível por sarar tais feridas e fazer voltar ao aprisco a ovelha perdida

E sobretudo os Padres Sinodais quiseram tocar os corações dos jovens, sabendo que muitos deles andam à procura de verdade e felicidade; nesta busca, podem abandonar-se aos atractivos e apelos do mundo actual, alguns dos quais são francamente nocivos. Isto acaba por gerar neles a confusão, privados como estão do conhecimento dos autênticos valores e onde encontrar a verdadeira felicidade. O grande desafio e oportunidade é oferecer-lhes os dons de Jesus Cristo na Igreja, os únicos capazes de satisfazer os seus anelos. Mas, esta apresentação de Cristo deve ser feita de forma apropriada à nova geração que se ressente das rápidas mudanças da cultura ambiental

Às vezes a Igreja Católica é considerada portadora duma mensagem irrelevante, que não atrai nem convence; jamais poderemos deixar que tais vozes minem a nossa confiança, porque nós encontrámos a pérola de grande valor (cf. Mt13, 46). Mas não foi para a guardarmos só para nós; a Igreja é desafiada a traduzir a Boa Nova para os povos da Oceânia segundo as suas urgências e condições actuais: temos de apresentar Cristo ao mundo de modo a dar esperança a tantos que sofrem a desolação, a injustiça, a pobreza. De facto, Ele é um mistério de vida nova para todos os que passam necessidade ou vivem na amargura, para as famílias desfeitas ou pessoas sem emprego, marginalizadas, feridas na alma ou no corpo, doentes ou escravas da droga, e para quantos se extraviaram. Este mistério de graça, mysterium pietatis, é o verdadeiro coração da Igreja e da sua missão

Uma Igreja participativa 

15. Nas comunidades católicas da Oceânia, vai crescendo a convicção do muito que têm para oferecer à Igreja universal, a qual, por sua vez, rejubila com os dons especiais destas comunidades. Muitas delas estão empenhadas na expansão missionária quer na Oceânia quer fora, nas ilhas do Pacífico e Papuásia-Nova Guiné, no sudeste asiático e em regiões da terra ainda mais distantes. Igrejas particulares, fundadas por missionários, começam por sua vez a enviar missionários, e isto é um sinal inequívoco de maturidade. Assumiram aquela mensagem que o Papa Paulo VI enviou, com o povo de Samoa, aos católicos do mundo inteiro: « Atendei o apelo que fazemos para vos tornardes arautos da Boa Nova da salvação ».(36) Cumpriu-se o voto que formulei aos bispos da Conferência Episcopal do Pacífico, quando visitei Suva no ano 1986: « As Igrejas instituídas por missionários possam por sua vez enviar muitos missionários a outras nações ».(37) É verdade que algumas dioceses da Oceânia estão ainda dependentes da solidariedade doutras Igrejas particulares, mas a falta de recursos não deveria ser motivo para refrearem a própria generosidade no cumprimento da sua missão. A partilha de recursos para o bem de todos é uma grave obrigação da vida do cristão e às vezes uma urgente necessidade da missão cristã

Em muitas ilhas da Oceânia, os catequistas estão a ajudar os sacerdotes no seu trabalho missionário ou pastoral. Na Austrália e Nova Zelândia, os catequistas ensinam as verdades da na comunidade local, sobretudo às crianças e aos catecúmenos, e « são (...) testemunhas directas, evangelizadores insubstituíveis, que representam a força basilar das comunidades cristãs ».(38) Muitas vezes estes obreiros leigos são de grande validade, porque vivem e trabalham junto das pessoas na sua vida de todos os dias, e « eles deram e continuam a dar um contributo verdadeiramente insubstituível para a vida e missão da Igreja ».(39) Em muitas ilhas, os catequistas são preparados não só para ensinar mas também para dirigir a comunidade em oração e evangelizar para além dos confins da comunidade católica. Nas culturas tradicionais, muitas vezes a doutrina é comunicada melhor oralmente através de narração de histórias, de pregação, de oração feita de palavras, música e dança; para orientar e promover este tipo de actividade, são necessários cursos, programas e retiros especiais. Urge agora apresentar Jesus Cristo àqueles cuja se debilitou sob a pressão da secularização e do consumismo e que tendem a considerar a Igreja apenas como uma das muitas instituições da sociedade moderna que influenciam o pensamento e o comportamento das pessoas. Em tal situação, a Igreja precisa de dirigentes e teólogos bem preparados para apresentarem Jesus Cristo de forma persuasiva aos povos da Oceânia

Foi maravilhoso ouvir, durante a Assembleia, muitos bispos falarem dos programas de renovação cristã nas suas dioceses e do aprofundamento da que os mesmos oferecem aos seus fiéis. Um dos traços salientes de tais programas é a numerosa participação dos leigos. Estamos todos agradecidos a Deus pelos vários dons que concedeu aos leigos, homens e mulheres, para cumprirem a sua missão, tendo eles recebido um chamamento não só à acção e ao serviço, mas também à oração.(40) Eles e seus pastores são encorajados a prosseguirem com vigoroso ardor, proclamando Jesus Cristo ao seu povo com renovada convicção. As comunidades católicas na Oceânia fazemgrandes esforços para irem ao encontro dos outros, proclamando e vivendo a Boa Nova; os Padres Sinodais manifestaram profundo apreço por estes esforços e um forte apoio a quantos estão prontos a oferecer-se para trabalhar na missão da Igreja. A eles me associo rezando por estes trabalhadores da vinha do Senhor para que possam encontrar satisfação e alegria no trabalho a que o próprio Deus os chamou

Muitos outros desafios se apresentam aos membros da Igreja, sobretudo aos que têm a seu cargo responsabilidades pastorais. Cientes das limitações de todo o esforço humano, os Padres Sinodais não se deixaram abater, mas fizeram apelo à certeza simples e forte que lhes deu o Senhor ressuscitado; de facto, quando enviou os Apóstolos a pregar a Boa Nova a todas as nações, Ele disse: « Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo » (Mt 28, 20). Desta promessa divina, brotou uma esperança nova para os bispos, a braços com os numerosos desafios que têm de enfrentar para pregar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida; e convidaram todos os católicos da Oceânia a unirem-se a eles nesta esperança




33) Cf. propositio 1. 



34) Cf. ibid



35) Paulo VI, Homilia na primeira Ordenação Episcopal dum sacerdote da Papuásia-Nova Guiné (Sydney, 3 de Dezembro de 1970): AAS 63 (1971), 72; cf. João Paulo II, Discurso aos bispos da Conferência Episcopal do Pacífico (Suva, 21 de Novembro de 1986), 2: AAS 79 (1987), 930-931



36) Homilia na Missa celebrada na ilha Upolu (Samoa Ocidental, 30 de Novembro de 1970): AAS 63 (1971), 49. 



37) N. 3: AAS 79 (1987), 932



38) João Paulo II, Carta enc. Redemptoris missio (7 de Dezembro de 1990), 73: AAS 83 (1991), 321; cf. Homilia na beatificação de Pedro To Rot (Port Moresby, 17 de Janeiro de 1995), 7: AAS 87 (1995), 994



39) João Paulo II, Discurso aos bispos da Papuásia-Nova Guiné e das Ilhas Salomão (Port Moresby, 8 de Maio de 1984), 6: AAS 76 (1984), 1013



40) Cf. João Paulo II, Discurso aos bispos da Nova Zelândia (Wellington, 23 de Novembro de 1986), 8: AAS 79 (1987), 939






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