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Ioannes Paulus PP. II
Ecclesia in Oceania

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  • CAPÍTULO III - PROCLAMANDO A VERDADE DE JESUS CRISTO NA OCEÂNIA
    • O actual desafio da Fé
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O actual desafio da Fé

Catequese 

22. Na sua missão de « proclamar a verdade de Jesus Cristo » na Oceânia de hoje, a Igreja é chamada a renovar a sua catequese, o ensino e a formação da fé. O impacto dos mass-mediana vida das pessoas ilustra bem como uma nova realidade social exige formas inovadoras de apresentar a fé. O objectivo da catequese é educar as crianças, os jovens e os adultos na fé; isto comporta sobretudo « um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com o fim de os iniciar na plenitude da vida cristã ».(83) Os Padres Sinodais propuseram um maior investimento de meios económicos e de pessoas para se alcançar mesmo os sujeitos que mais facilmente ficam ignorados. A necessidade de cursos completos para adultos e crianças com especiais limitações, que não frequentam escolas católicas, reclama uma atenção particular e planificação sistemática. Basilar entre todos os direitos humanos é a liberdade de religião, que inclui o direito de ser instruído na fé.(84) « Todos os baptizados, pelo facto mesmo do seu baptismo, possuem o direito de receber da Igreja um ensino e uma formação que lhes permitam chegar a ter uma verdadeira vida cristã ».(85) Isto exige que os governos e os responsáveis escolares garantam o respeito efectivo deste direito. « Quando há uma autêntica colaboração entre o governo e a Igreja relativamente à instituição e funcionamento das escolas, a educação das crianças e jovens da nação é imensamente promovida ».(86) Religiosos e religiosas, leigos e sacerdotes têm trabalhado para conseguir este objectivo, frequentemente com prodigiosos esforços e muitos sacrifícios. O seu trabalho deve ser consolidado e ampliado para que todos os baptizados cresçam na fé e na compreensão da verdade de Cristo. 

Ecumenismo 

23. Os Padres Sinodais consideraram a separação dos cristãos como um grande obstáculo à credibilidade do testemunho da Igreja, tendo expresso o desejo ardente de que cesse o escândalo da divisão e sejam feitos novos esforços de reconciliação e diálogo, para que o esplendor do Evangelho possa irradiar mais claramente. 

Em muitas regiões missionárias da Oceânia, as diferenças entre Igrejas e Comunidades Eclesiais conduziram, no passado, ao antagonismo e à contraposição. Nos tempos recentes, porém, o relacionamento tem sido mais positivo e fraterno. A Igreja na Oceânia tem dado grande prioridade ao ecumenismo, revestindo-se de novidade e abertura as actividades ecuménicas; estas são acolhidas favoravelmente como oportunidade para « um diálogo de salvação »,(87) que tem em vista uma maior compreensão e mútuo enriquecimento. O ardente desejo da unidade na fé e no culto é um dos dons do Espírito Santo à Oceânia,(88) e a cooperação nas áreas da assistência caritativa e da justiça social é um sinal claro de fraternidade cristã. O ecumenismo encontrou na Oceânia um terreno fértil onde lançar raízes, porque, em muitos lados, as comunidades locais sentem-se intimamente unidas. Um desejo ainda mais intenso de unidade na fé ajudará a conservar unidas estas comunidades. Este anseio duma comunhão mais profunda em Cristo estava simbolizado, no Sínodo, pela presença de delegados fraternos doutras Igrejas e Comunidades Eclesiais. As suas contribuições foram estimulantes e proveitosas para avançar rumo à unidade querida por Cristo. 

No trabalho ecuménico, é essencial que os católicos estejam bem preparados no conhecimento da doutrina, tradição e história da Igreja, para que, compreendendo mais profundamente a sua fé, saibam empenhar-se melhor no diálogo e colaboração ecuménica. Além disso, há necessidade de um « ecumenismo espiritual », ou seja, o ecumenismo de oração e conversão do coração. A oração ecuménica frutificará na partilha de vida e de serviços, de modo que os cristãos realizem juntos tudo o que for possível nas circunstâncias actuais. Um « ecumenismo espiritual » pode levar também ao diálogo doutrinal ou, onde este já exista, à sua consolidação. Os Padres Sinodais consideraram muito útil haver, para uso conjunto, edições da Sagrada Escritura e orações ecumenicamente aceites. Esperam ver dada maior atenção às necessidades pastorais das famílias cujos membros pertencem a comunidades cristãs diferentes. Encorajaram também as comissões eclesiais a partilharem, se possível, os serviços sociais com outras comunidades cristãs. É bom que os responsáveis cristãos ajam de comum acordo e façam declarações comuns sobre questões religiosas e sociais, quando tais declarações forem necessárias e oportunas.(89) 

Grupos fundamentalistas 

24. Há que distinguir o ecumenismo da aproximação eclesial a grupos ou movimentos religiosos fundamentalistas, alguns dos quais são de inspiração cristã. Nalgumas regiões missionárias, os bispos estão preocupados com a influência que eles têm sobre a comunidade católica. Alguns grupos fundamentam as suas ideias numa leitura da Bíblia que usa frequentemente imagens apocalípticas, ameaças de um futuro negro para o mundo, e promessas de recompensas económicas para os seus sequazes. Enquanto alguns destes grupos são abertamente hostis à Igreja, outros desejariam entrar em diálogo. Nas sociedades mais desenvolvidas e secularizadas, cresce a preocupação com grupos cristãos fundamentalistas que arrastam a juventude para longe da Igreja e até das suas famílias. Muitos movimentos diversos oferecem uma espécie de espiritualidade como suposto remédio para os efeitos nocivos duma cultura tecnológica alienante, contra a qual muitas vezes as pessoas se sentem impotentes. A presença e actividade de tais grupos e movimentos são um desafio para a Igreja, obrigando-a a revitalizar o seu serviço pastoral e a ser mais acolhedora para com os jovens e quantos vivem em grave carência espiritual ou material.(90) É uma situação que clama também por melhor catequese bíblica e sacramental e uma formação espiritual e litúrgica apropriada. Há necessidade ainda duma nova apologética, de acordo com as palavras de S. Pedro: « Estai sempre prontos a responder (...) a todo aquele que vos perguntar a razão da vossa esperança » (1 Ped 3, 15). Deste modo, os fiéis estarão mais seguros na sua fé católica e menos expostos à sedução destes grupos e movimentos que, muitas vezes, acabam por dar precisamente o contrário do que prometem. 

Diálogo inter-religioso 

25. Maiores oportunidades de viajar e possibilidades mais acessíveis de migração deram como resultado um encontro sem precedentes entre as culturas do mundo, explicando-se assim a presença na Oceânia das grandes religiões não cristãs. Algumas cidades têm comunidades hebraicas, compostas por um número considerável de sobreviventes do Holocausto, podendo elas desempenhar uma função importante nas relações entre hebreus e cristãos. Em certos lugares, encontram-se também estabelecidas há muito tempo comunidades muçulmanas; noutros, há comunidades de hindus; e noutros ainda, têm-se fundado centros budistas. É importante que os católicos conheçam melhor tais religiões, as suas doutrinas, modos de vida e culto. Quando pais pertencentes a estas religiões inscrevem os filhos em escolas católicas, a Igreja tem uma missão especialmente delicada. 

A Igreja na Oceânia deve estudar mais cuidadosamente as religiões tradicionais das populações indígenas, para entrar com maior eficácia no diálogo que o anúncio cristão requer. « O anúncio e o diálogo, cada um no próprio âmbito, são ambos considerados elementos componentes e formas autênticas da única missão evangelizadora da Igreja. Ambos são orientados para a comunicação da verdade salvífica ».(91) Para prosseguir um diálogo frutuoso com estas religiões, a Igreja precisa de peritos em filosofia, antropologia, religiões comparadas, ciências sociais e sobretudo em teologia. 




83) João Paulo II, Exort. ap. Catechesi tradendae (16 de Outubro de 1979), 18: AAS 71 (1979), 1292. 



84) Cf. ibid., 14: o.c., 1288-1289. 



85) Ibid., 14: o.c., 1288. 



86) Propositio 9. 



87) Paulo VI, Carta enc. Ecclesiam suam (6 de Agosto de 1964), III: AAS 56 (1964), 642. 



88) Cf. propositio 13. 



89) Cf. ibid



90) Cf. propositio 14. 



91) Congr. para a Evangelização dos Povose Pont. Conselho para o Dialogo Inter-religioso, Instr. Diálogo e anúncio (19 de Maio de 1991), 2: AAS 84 (1992), 415. 






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