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| Ioannes Paulus PP. II Ecclesia in Oceania IntraText CT - Texto |
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Ministérios ordenados e vida consagrada Vocações e seminários 48. Vista a função essencial do sacerdócio e a grande importância da vida consagrada na missão da Igreja, os Padres da Assembleia Especial assinalaram o testemunho dado por bispos, sacerdotes e pessoas de vida consagrada através da sua oração, fidelidade, generosidade e simplicidade de vida.(157) A messe onde trabalham é grande, e o seu número relativamente pequeno. Contudo a Oceânia tem muitos jovens, que constituem um precioso tesouro espiritual, havendo certamente muitos dentre eles que foram chamados ao sacerdócio ou à vida consagrada. « Desejaria que um número cada vez maior dos vossos jovens pudesse ouvir atentamente e aceitar prontamente as palavras de Cristo que falam de uma especial escolha pessoal da parte de Deus para uma fecundidade apostólica: "Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos nomeei para irdes e dardes fruto, e o vosso fruto permanecer" (Jo15, 16) ».(158) Os Padres Sinodais sublinharam a preocupante penúria de sacerdotes e de consagrados na Oceânia. A promoção das vocações é uma responsabilidade urgente de toda a comunidade católica. Cada bispo deveria esforçar-se por instituir e fazer funcionar um plano para promover as vocações sacerdotais e religiosas a todos os níveis: na diocese, na paróquia, na escola e na família. Os Padres Sinodais olham com esperança para o futuro, pedindo « ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe » (Lc 10, 2), firmes na fé que « Deus providenciará » (Gen 22, 8). Nos seminários, os sacerdotes do futuro são formados à imagem do Bom Pastor, « unindo-se a Cristo no conhecimento da vontade do Pai e no dom de si mesmos pelo rebanho que lhes foi confiado ».(159) Cada bispo é responsável pela formação do clero no contexto da cultura e tradição local. A tal respeito, os Padres Sinodais pediram para « ser tomados em séria consideração modelos mais flexíveis e criativos de formação e aprendizagem »,(160) que tenham em conta os elementos essenciais duma formação bem integrada dos candidatos ao sacerdócio na Oceânia: formação humana, intelectual, espiritual e pastoral.(161) Ao mesmo tempo, os bispos « acautelaram contra excessos de clericalismo ou de secularismo e para os perigos duma insuficiente preparação académica, resultado por vezes da formação dos seminários de hoje, que esquecem as necessidades profundas dos seminaristas a nível intelectual e espiritual ».(162) Uma especial atenção deve ser dada à situação de algumas Igrejas na Oceânia, nomedamente às da Papuásia-Nova Guiné, das Ilhas Salomão e de outras nações insulares do Pacífico, onde foram abertos novos seminários para responder ao número crescente de seminaristas que esperam ser formados nas suas próprias regiões e na sua cultura. Ao mesmo tempo que davam graças pelo dom precioso de novas vocações, os Padres Sinodais constataram a necessidade dum corpo docente local, adequadamente preparado para os objectivos académicos e educativos. Foram feitas algumas propostas para se ultrapassar a situação crítica actual, nomeadamente a partilha de pessoal no âmbito do Continente. Aos sacerdotes diocesanos locais deveriam ser oferecidas mais oportunidades de estudos superiores feitos quer na região quer fora. É preciso elaborar um programa mutuamente acordado de intercâmbios para solucionar as várias carências referidas. A preocupação prioritária dos bispos é a formação humana e pastoral integral dos seminaristas no seu próprio contexto cultural. Ocorrem soluções capazes de prover ao necessário apoio económico dos seminários, que constituem actualmente um pesado fardo para muitas dioceses. Quando os recursos forem insuficientes na Oceânia, será preciso fazer apelo às estruturas mais amplas da Igreja, às ordens, congregações e institutos religiosos para ajudarem as jovens Igrejas na formação de pessoal local qualificado.(163) O futuro da Igreja na Oceânia depende em grande parte precisamente disto, porque a Igreja não pode viver sem o sacerdócio sacramental, nem funcionar bem sem bons padres. A vida dos ministros ordenados 49. Desde o Concílio Vaticano II, o sacerdote tem-se confrontado com as alterações, novidades e desafios da sociedade contemporânea. Os Padres Sinodais constataram « a fidelidade perseverante e o empenhamento dos sacerdotes no seu ministério. Esta fidelidade é ainda mais admirável quando se pensa que é vivida num mundo de incertezas, de isolamento, de actividade frenética e, às vezes, de indiferença e apatia. Reconhecemos que a fidelidade dos sacerdotes é um forte testemunho da solicitude de Cristo por todo o seu povo, e por isso os louvamos ».(164) A vida do sacerdote é absolutamente modelada pelo exemplo de Cristo, que Se entregou a Si próprio para que todos tivessem a vida em plenitude. Através do sacerdócio ordenado, torna-se visível no meio da comunidade a presença de Cristo. Isto, porém, não significa que os sacerdotes estejam isentos de fraquezas humanas ou do pecado. Por isso, cada sacerdote tem necessidade duma contínua conversão e abertura ao Espírito para aprofundar a sua entrega sacerdotal na fidelidade a Cristo. « Para preservar esta fidelidade, o Sínodo convida o clero a redobrar de esforços para configurar a sua vida de oração à de Cristo e adoptar um estilo de vida que reproduza a vida de Cristo, feita de simplicidade, de confiança no Pai, de generosidade para com os pobres e de identificação com os desprotegidos ».(165) O Sínodo estava consciente da erosão da identidade sacerdotal, especialmente do menosprezo pelo celibato sacerdotal num mundo influenciado por valores que são contrários aos requisitos do Evangelho. O celibato sacerdotal é um mistério profundo, radicado no amor de Cristo, que exige uma relação radical, amorosa, exclusiva com Cristo e com o seu Corpo que é a Igreja. O celibato é um dom de Deus àqueles que são chamados a viver a vida cristã como sacerdotes, constituindo uma grande graça para a Igreja inteira o testemunho do dom total de si mesmo por amor do Reino. Os valores perenes do celibato evangélico e da castidade têm de ser defendidos e explicados pela Igreja em culturas que nunca os conheceram e na sociedade contemporânea onde tais valores são pouco compreendidos ou apreciados. Uma análise ainda mais profunda do mistério cristão do celibato ajudará os que abraçaram este dom a vivê-lo mais fiel e serenamente.(166) O Concílio Vaticano II ensinou que « os sacerdotes, elevados ao presbiterado pela ordenação, estão unidos entre si numa íntima fraternidade sacramental. Especialmente na diocese a cujo serviço, sob o bispo respectivo, estão consagrados, formam um só presbitério ».(167) De facto, os sacerdotes com o seu bispo constituem uma única comunidade, frequentemente designada presbyterium. A communio do presbyterium encontra uma particular expressão litúrgica na cerimónia da ordenação presbiteral e na concelebração da eucaristia com o Bispo, especialmente na Missa Crismal de Quinta-feira Santa. Os sacerdotes doentes, idosos e reformados têm um lugar especial no presbyterium; como sinal da gratidão da Igreja pela sua fidelidade, há que proporcionar-lhes sempre assistência e sustentamento adequados. Os ministros consagrados, que deixaram as responsabilidades pastorais directas e se aposentaram, deveriam sentir que ainda têm um lugar respeitável no seio do presbyterium.(168) Na communio do presbyterium, há ainda outros aspectos práticos. « Um sacerdote tem necessidade da companhia e apoio dos outros sacerdotes e do seu bispo. Este procure fazer sentir aos seus irmãos sacerdotes que são realmente os seus colaboradores na vinha do Senhor. Além disso, procure encorajar os seus padres a ajudarem-se reciprocamente num atmosfera fraterna, para se constituir um clero local diocesano forte através do apoio mútuo e duma constante renovação ».(169) Este apoio fraterno é particularmente importante nas situações insulares, quando se pensa que muitos sacerdotes vêm de sociedades com fortes laços comunitários e onde, pela sua Ordenação, lhes era tributada uma honra especial e reconhecido um determinado nível dentro da sociedade. « Tratados assim pela sua gente, agora é-lhes pedido para servir. Têm, por isso, necessidade de intenso apoio para configurar as suas próprias tradições e modo de vida como sacerdote diocesano ».(170) A vida dos bispos, sacerdotes e diáconos requer uma formação permanente e momentos fortes para renovar o entusiasmo na vocação divina. Os Padres Sinodais recomendaram a existência de idóneas oportunidades espirituais, pastorais, intelectuais e recreativas para incrementar a capacidade de servir eficazmente e empenhar-se activamente na missão ao longo dos anos. O Sínodo traçou alguns aspectos da formação permanente: « Lembrem-se todos os ministros de que o cumprimento dos seus deveres quotidianos compreende tudo o que é necessário para sustentar e enriquecer a vida espiritual: celebração da eucaristia, leitura diária e estudo da Bíblia, oração da Liturgia das Horas, recurso a outras fontes para a pregação e o ensino, ouvir de confissão, a leitura de livros e revistas teológicas. Esforcem-se pessoalmente por tomar parte em retiros, conferências e reservar também um tempo de repouso anual, mesmo que isso implique ausentar-se das obrigações pastorais. A formação permanente exige que todos os sacerdotes continuem a desenvolver as suas capacidades para proclamarem a mensagem evangélica de modo compreensível ao seu povo; a referida formação não é apenas intelectual mas também espiritual, humana e pastoral. Os bispos procurem organizar a formação progressiva na sua diocese segundo estas directrizes; hão-de estar previstos também tempos sabáticos de estudo e de renovação espiritual para todo o clero ».(171) Os Padres Sinodais manifestaram o desejo de se ocuparem pastoralmente dos seus sacerdotes, estando receptivos às suas necessidades em qualquer circunstância; mostraram-se sensíveis também à situação daqueles que abandonaram o sacerdócio. Nalgumas partes da Oceânia, verificaram-se abusos sexuais cometidos por sacerdotes e religiosos, que causaram grandes sofrimentos e dano espiritual às vítimas. Provocaram também grave dano à vida da Igreja, tornando-se um obstáculo para a proclamação do Evangelho. Os Padres Sinodais condenaram todo o género de abuso sexual e todas as formas de abuso de poder, tanto dentro da Igreja como na sociedade inteira. O abuso sexual no âmbito da Igreja está em profunda contradição com a doutrina e o testemunho de Jesus Cristo. Os Padres Sinodais pediram desculpa, sem reservas, às vítimas pelo sofrimento e desilusão que lhes foram causados.(172) A Igreja na Oceânia tem procurado procedimentos justos para responder às queixas neste âmbito, comprometendo-se sem reservas a cuidar solícita e eficazmente das vítimas, de suas famílias, da comunidade inteira, e dos próprios transgressores. O diaconado permanente 50. O Concílio Vaticano II decidiu restaurar o diaconado permanente como parte do ministério ordenado da Igreja Latina; e já foi introduzido nalgumas dioceses da Oceânia, onde tem sido bem recebido. Uma vantagem particular é a sua capacidade de se adaptar a uma grande variedade de necessidades pastorais locais. Os bispos do Sínodo agradeceram o trabalho incansável e dedicado dos diáconos permanentes na Oceânia, tendo reconhecido também a generosidade das famílias dos diáconos casados. É vital uma apropriada formação dos diáconos, sendo necessária também uma séria catequese e preparação em toda a diocese, sobretudo nas comunidades onde aqueles hão-de prestar o seu serviço.(173) Além disso, aqueles precisam de receber formação permanente. É bom que sacerdotes e diáconos, cada um segundo a sua vocação específica, trabalhem juntos na pregação do Evangelho e na administração dos sacramentos.(174) A vida consagrada 51. A história da fundação da Igreja na Oceânia identifica-se em grande parte com a do apostolado missionário de inumeráveis homens e mulheres consagrados, que proclamaram, com generosa dedicação, o Evangelho numa vasta gama de situações e culturas. O seu empenho sem reservas na obra da evangelização permanece de importância vital, e continua a enriquecer de forma específica a vida da Igreja. A sua vocação torna-os peritos na communio da Igreja; procurando a perfeição da caridade no serviço do Reino, dão resposta à sede de espiritualidade dos povos da Oceânia e são sinal da santidade da Igreja.(175) Os pastores devem proclamar sempre o valor excepcional da vida consagrada e dar graças a Deus pelo espírito de sacrifício das famílias prontas a oferecer ao Senhor um ou mais dos seus filhos para esta vocação maravilhosa.(176) Fiéis aos carismas da vida consagrada, as congregações, os institutos e as sociedades de vida apostólica têm-se adaptado corajosamente às novas circunstâncias, fazendo brilhar em novos moldes a luz do Evangelho. Uma boa formação é vital para o futuro da vida consagrada, e é essencial que os aspirantes recebam a melhor formação teológica, espiritual e humana possível. Para isso, os jovens deveriam ser adequadamente acompanhados nos primeiros anos do seu itinerário de discipulado. Vista a importância central da vida consagrada na Oceânia, é indispensável que os bispos respeitem os carismas dos institutos religiosos e os animem de todos os modos a partilharem os seus carismas com a Igreja particular. Isto pode-se conseguir através da sua participação no planeamento e nos processos de decisão da diocese; pelo mesmo motivo, os bispos deveriam encorajar os consagrados e consagradas a associarem-se à realização dos planos pastorais dentro da Igreja particular. As ordens contemplativas lançaram raízes na Oceânia, testemunhando especialmente a transcendência de Deus e o valor supremo do amor de Cristo. Dão testemunho da intimidade de comunhão entre a pessoa, a comunidade e Deus. Os Padres Sinodais reconheceram que a vida de oração na vocação contemplativa é vital para a Igreja na Oceânia. Situada mesmo no coração da Igreja e por caminhos misteriosos, aquela inspira e induz os fiéis a viverem mais radicalmente a vida de Cristo. Por isso, os bispos recomendam que nunca deixe de haver, na Oceânia, uma profunda estima pela vida contemplativa e a determinação em promovê-la de todo o modo possível.(177) 52. Tendo considerado a generosidade de Deus na Oceânia e o seu amor infinito pelos povos que nela habitam, como poderemos deixar de dar graças Àquele de quem recebemos todo o bem? E, dentre tantos dons, como não louvá-Lo sobretudo pelo insondável tesouro da fé e pelo chamamento à missão que ela implica? A nossa confiança está posta em Cristo, e é a sua palavra que fomos chamados a apresentar nas circunstâncias concretas do nosso tempo e das nossas culturas. A Assembleia Especial da Oceânia deu muitas pistas e sugestões que precisam de ser assumidas pelas Igrejas do Continente para que estas cumpram a parte que lhes toca na obra da nova evangelização. Sem olhar a dificuldades, somos chamados a esta tarefa por Cristo ressuscitado, que ordenou a Pedro e aos outros Apóstolos: « Faz-te ao largo; e vós lançai as redes para a pesca » (Lc 5, 4). A fé em Jesus certifica-nos de que a nossa esperança não é vã, podendo dizer com Pedro: « Porque Tu o dizes, lançarei as redes » (Lc 5, 5). O resultado é assombroso: « E apanharam uma grande quantidade de peixe » (Lc 5, 6). Apesar de serem muitas, extensas e profundas as águas da Oceânia, a Igreja lá presente não pode cessar de caminhar alegre e confiadamente com Cristo, proclamando a sua verdade e vivendo a sua vida. Agora é o tempo para a grande pesca!
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157) Cf. propositio 29. 158) João Paulo II, Homilia na missa pelas vocações (Port Moresby, 7 de Maio de 1984), 4: AAS 76 (1984), 1006. 159) Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o ministério e a vida dos sacerdotes Presbyterorum ordinis, 14. 160) Propositio 37. 161) Cf. João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Pastores dabo vobis (25 de Março de 1992), 43-59: AAS 84 (1992), 731-762. 162) Propositio 37. 163) Cf. propositio 38. 164) Propositio 36. 165) Ibid. 166) Cf. propositio 35. 167) Decr. sobre o ministério e a vida dos sacerdotes Presbyterorum ordinis, 8. 168) Cf. propositio 36. 169) Propositio 33. 170) Ibid. 171) Propositio 34. 172) Cf. propositio 43. 173) Cf. Congr. para a Educação Católicae Congr. para o Clero, Normas fundamentais para a formação dos diáconos permanentes e Directório para o ministério e a vida dos diáconos permanentes (22 de Fevereiro de 1998): AAS 90 (1998), 843-926. 174) Cf. propositio 32. 175) Cf. propositio 29. 176) Cf. ibid. 177) Cf. ibid. |
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