1. Este ano o
Dia Mundial da Paz é celebrado tendo como pano de fundo os
dramáticos acontecimentos do passado dia 11 de Setembro. Naquele dia,
foi perpetrado um crime de terrível gravidade: em poucos minutos
milhares de pessoas inocentes, de várias procedências
étnicas, foram horrorosamente massacradas. Desde então, por todo
o mundo as pessoas tomaram consciência, com nova intensidade, da sua
vulnerabilidade pessoal e começaram a olhar o futuro com um sentido,
jamais pressentido, de íntimo medo. Diante deste estado de ânimo,
a Igreja deseja dar testemunho da sua esperança, baseada na convicção
de que o mal, o mysterium iniquitatis, não tem a última
palavra nas vicissitudes humanas. A história da salvação,
delineada na Sagrada Escritura, projecta uma grande luz sobre toda a
história do mundo ao mostrar como sobre ela vela sempre a solicitude
misericordiosa e providente de Deus, que conhece os caminhos para sensibilizar
mesmo os corações mais endurecidos e alcançar bons frutos
mesmo de uma terra árida e infecunda. Esta é a esperança
que anima a Igreja no início do ano 2002: com a graça de Deus
este mundo, no qual as forças do mal parecem uma vez mais triunfar,
há-de realmente transformar-se num mundo em que as
aspirações mais nobres do coração humano
poderão ser satisfeitas, num mundo onde prevalecerá a verdadeira
paz.
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