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Não se mata em nome
de Deus!
6. Quem mata,
com actos terroristas, cultiva sentimentos de desprezo pela humanidade,
manifestando desespero pela vida e pelo futuro: nesta perspectiva, tudo pode
ser odiado e destruído.
O terrorista considera a verdade
em que crê ou o sofrimento que padece tão absolutos que legitimam
a sua reacção de destruir inclusivamente vidas humanas inocentes.
Por vezes, o terrorismo é filho de um fundamentalismo fanático,
que nasce da convicção de poder impôr a todos a
aceitação da sua própria visão da verdade. Mas a
verdade, uma vez alcançada — e isto verifica-se sempre de forma limitada
e imperfeita — jamais pode ser imposta. O respeito pela consciência
alheia, na qual se reflecte a mesma imagem de Deus (cf. Gn 1, 26-27),
permite apenas propôr a verdade ao outro, a quem compete depois
acolhê-la responsavelmente. Pretender impôr aos outros com
violência aquela que se presume ser a verdade, significa violar a
dignidade do ser humano e, em última instância, ultrajar a Deus,
de quem aquele ele é imagem. Por isso, o fanatismo fundamentalista
é um comportamento radicalmente contrário à fé em
Deus. Visto de outro modo, o terrorismo instrumentaliza não somente o
homem, mas também Deus, acabando por fazer d'Ele um ídolo de
que se serve para os seus próprios fins.
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