9. Como acto
humano, o perdão é antes de mais uma iniciativa individual do
sujeito na sua relação com os seus semelhantes. Porém, a
pessoa tem uma dimensão social essencial, que lhe permite estabelcer uma
rede de relações com a qual se exprime a si mesma: infelizmente não
só para o bem, mas também para o mal. Consequentemente, o
perdão torna-se necessário também a nível social.
As famílias, os grupos, os Estados, a mesma Comunidade internacional,
necessitam de abrir-se ao perdão para restaurar os laços
interrompidos, superar situações estéreis de mútua
condenação, vencer a tentação de excluir os outros,
negando-lhes a possibilidade de apelo. A capacidade de perdão
está na base de cada projecto de uma sociedade futura mais justa e
solidária.
Pelo contrário, a
falta de perdão, especialmente quando alimenta o prolongamento de
conflitos, supõe custos enormes para o desenvolvimento dos povos. Os
recursos são destinados para manter a corrida aos armamentos, as
despesas de guerra, as consequências das represálias
económicas. Acabam assim por faltar os recursos financeiros necessários
para gerar desenvolvimento, paz e justiça. Quantos sofrimentos padece a
humanidade por não saber reconciliar-se, e quantos atrasos por
não saber perdoar! A paz é a condição do
desenvolvimento, mas uma verdadeira paz torna-se possível somente com o
perdão.
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