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Rumo à socialização
integral do País: uma Constituição que a maioria da população não quer
Dado que o modelo de democracia-direta -- que vigiu, por exemplo, nos Estados de dimensões
municipais da Antigüidade helênica—é impraticável nos Estados contemporâneos,
devido à amplitude de sua população e de seu território, a democracia se exerce
neles de modo indireto , ou seja, representativo .
Assim, os cidadãos elegem representantes,
que votam as leis e dirigem o Estado segundo as intenções do eleitorado. É democracia
representativa .
A relação entre o eleitor e o candidato
por ele sufragado é, em essência, a de uma procuração. O eleitor confere ao
candidato a deputado ou senador de sua preferência um mandato, para que exerça
o Poder Legislativo segundo o programa que este deve expor normalmente ao
conhecimento da opinião pública durante a campanha eleitoral.
Análogas afirmações cabem quanto às
eleições para o preenchimento de vagas no Poder Executivo.
Em conseqüência de quanto fica aqui
exposto, a autenticidade do regime democrático repousa por inteiro sobre a
autenticidade da representação.
É isto óbvio. Pois, se a democracia é o
governo do povo, ela só será autêntica se os detentores do Poder Público (tanto
o Executivo como o Legislativo
) forem escolhidos e atuarem segundo os métodos e tendo em vista as metas
desejados pelo povo.
Se tal não se dá, o regime democrático
não passa de uma vã aparência, quiçá de uma fraude.
Tal problema se colocava de modo agudo
para os brasileiros que tinham sido chamados a eleger, em 15 de novembro de
1986, parlamentares que formariam a futura Assembléia Nacional Constituinte.
Realizado o pleito eleitoral, impunha-se
fazer um estudo que versasse ao mesmo tempo sobre a representatividade da
Constituinte então eleita e sobre o Projeto de Constituição que ela estava
elaborando.
O resultado desse estudo foi o livro Projeto
de Constituição angustia o País , que concluí em outubro de 1987, e que foi
oferecido a todos os Constituintes como contribuição para evitar o funesto
desfecho que se podia vislumbrar ante o eventual divórcio do novo texto
constitucional em relação ao pensamento majoritário da Nação.
Na Parte I desse trabalho analiso os
requisitos para a representatividade de uma eleição. Faço aí a distinção entre políticos-profissionais e profissionais-políticos , e mostro
como o ingresso destes últimos na vida pública, como representantes autênticos
das mais variadas profissões ou campos de atividade, enriqueceria o quadro
político do País.
Nisso estaria, a meu ver, o meio para
desfazer o alheamento do eleitorado (manifestado pela surpreendente porcentagem
de abstenções, votos brancos e nulos) e sanar a carência de representatividade
da Constituinte, melancólico resultado da eleição-sem-idéias de 1986 (Parte II).
A essa carência de representatividade
congênita veio somar-se outra, decorrente do funcionamento tumultuado e anômalo
da própria Constituinte, em que as inautenticidades se sucediam em cadeia: 1°)
o Plenário da Constituinte era menos conservador do que o eleitorado; 2°) as
Comissões temáticas eram mais esquerdistas que o Plenário; 3°) a Comissão de
Sistematização (que coordenava o trabalho preparado pelas Comissões temáticas)
apresentava a maior dose de concentração esquerdista da Constituinte. Assim,
uma minoria esquerdista ativa, articulada, audaciosa, ameaçava arrastar o País
por rumos não desejados pela maioria da população (Parte III).
Na Parte IV analiso o Projeto de
Constituição que então subia para debate em Plenário, e mostro como se estava
dando um grande passo rumo à socialização integral do Brasil, notadamente no
que concerne à desagregação da família e ao minguamento da propriedade
particular.
O livro termina com uma proposta
concreta: em primeiro lugar, votar-se-ia uma Constituição sobre a organização
política, a respeito da qual facilmente se pode chegar a um consenso nas
condições atuais da opinião pública brasileira. Aprovada essa parte pelos
constituintes, seria submetida a um referendum popular. Numa segunda etapa, após amplo trabalho de
esclarecimento da população sobre as matérias de natureza sócio-econômica, a
respeito das quais há uma profunda divisão, elaborar-se-ia um complemento, o
qual também seria submetido a referendum . Isto importaria em dar à
população a maior largueza possível de expressão, e a Constituinte, em pontos
tão delicados, elevar-se-ia ao nobre papel de interrogar o povo para conhecer
sua vontade.
Sócios e cooperadores da TFP
consagraram-se, durante cinco meses, a difundir a obra por mais de 240 cidades
de 18 Unidades da Federação, fazendo escoar os 73 mil exemplares editados.
Ressalte-se a média-recorde de 1.083
exemplares diários vendidos durante os dezenove dias de difusão intensiva na
Grande São Paulo.
Finalmente, esboçou-se uma certa reação
dos elementos mais conservadores no seio da Constituinte; porém faltavam-lhes o
ímpeto e a determinação necessários para reverter o processo descrito no livro.
E o Brasil foi presenteado com
uma Constituição que criaria em seguida toda espécie de embaraços para a
governabilidade do País.
_Nobreza e elites tradicionais análogas
nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana
Um dos aspectos mais graves da presente
crise brasileira tem como causa profunda o processo de deperecimento gradual de
nossas elites.
Desde fins do século XIX, esse fenômeno
se vem produzindo com crescente intensidade, sem que nosso otimismo brasileiro,
despreocupado e bonacheirão, tenha dado ao fato a devida atenção. E isto nos
conduziu a este terrível fim de século.
Em qualquer campo de atividade onde se
queiram reintroduzir a honradez, a competência e a ordem, não faltam sugestões
inteligentes a pôr em prática. Mas a grande questão que surge desde logo é a da
constituição, para cada plano, de uma equipe moral e intelectualmente capaz.
Inteligências—muitas das quais até insignes—não nos faltam. Infelizmente nossa
maior carência é no campo moral, e a todo momento nos encontramos diante desta
embaraçosa constatação.
E por que não temos tais equipes? Porque
não temos as necessárias elites. Onde há elites moral e intelectualmente
capazes, os homens idôneos por sua competência e por sua moralidade não faltam.
Onde não há elites, os homens de real valor são raros, pouco conhecidos e
condenados a vegetar anônimos na multidão dos medíocres ou dos gatunos.
O memorável Pontífice Pio XII (1939-1958)
previu provavelmente que, mais cedo ou mais tarde, as condições morais do mundo
moderno levariam a essa situação quase todos os países. O que lançaria a
humanidade em uma crise onímoda de imprevisíveis conseqüências. Assim é que ele
pronunciou, em seu pontificado, catorze importantíssimas alocuções, as quais
contêm um apelo a que fossem preservados cuidadosamente, nos países com
tradição nobiliárquica, as aristocracias respectivas. E que, ao mesmo tempo, as
elites novas, originadas do trabalho exercido no campo da cultura, como no da
produção, encontrassem condições propícias para constituírem elites autênticas,
congêneres com a nobreza por sua formação moral e cultural, como por sua
capacidade de mando. Caber-lhes-ia formar, à maneira da nobreza, verdadeiras
elites capazes de originar homens de escol nos mais variados campos.
No Brasil, o apelo de Pio XII quase não
teve repercussão. Teve-a escassa em outros países. E, assim, a falta de elites,
que para nós era um problema trágico, para outras nações constitui problema
sério a que cumpre dar remédio urgente.
Visando contribuir para a solução desse
magno problema, escrevi o livro _ Nobreza e elites tradicionais análogas nas
alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana, que analisa as condições
do mundo contemporâneo à luz das catorze alocuções de Pioÿ20XII.
A primeira edição desta obra em idioma
português foi confiada à notável Editora Civilização, de Portugal, e veio a
lume em abril de 1993. Traduzida para o castelhano, a obra foi divulgada na
Espanha pela Editora Fernando III El Santo. Essa edição cobriu não só o
território espanhol, como o das nações hispano-americanas.
Nos Estados Unidos, a obra foi publicada
pela importante editora Hamilton Press, e teve seu lançamento oficial no
prestigioso Mayflower Hotel de Washington, em setembro de 1993. Na ocasião,
diante de um público de 850 convidados, entre os quais a Arquiduquesa Mônica da
Áustria e o Duque de Maqueda, Grande de Espanha, discursaram personalidades de
alto relevo na vida pública norte-americana.
Na França, publicado pela Editora
Albatros, o livro vem encontrando larga aceitação em amplos setores daquele
país.
Na Itália, a obra foi publicada pela
Editora Marzorati, e apresentada no Congresso da Nobreza Européia, realizado em
Milão em outubro de 1993, como também numa concorrida sessão de lançamento
oficial no Circolo della Stampa, Palácio Seberlloni, daquela cidade.
O lançamento em Roma ocorreu no histórico
palácio da Princesa Elvina Pallavicini, com a presença do Cardeal Alfons
Stickler, de Mons. Cândido Alvim Pereira, Arcebispo emérito de Lourenço
Marques, do Arquiduque Martin da Áustria, de príncipes, princesas e inúmeros
outros membros da mais alta aristocracia italiana.
Nesses diversos atos, a obra foi, além de
acuradamente analisada, também vivamente elogiada pelos distintos
conferencistas que se sucederam no decurso das sessões então realizadas.
Na imprensa romana, a repercussão desse
lançamento foi das mais vivas. Os principais quotidianos noticiaram com grande
destaque o evento, o qual chegou a ser apresentado (“Il Tempo”, 31-10-93) como
”os estados gerais da aristocracia negra” (assim é designada a parte mais tradicional da nobreza romana, a
qual, solidária com a Santa Sé, se recusou a reconhecer a anexação forçada dos
Estados Pontifícios à Itália).
Importa consignar aqui essas excelentes
repercussões da obra, para mostrar a atualidade do tema nela tratado. Pois o
mero enunciado do título dela poderia parecer, a várias pessoas, como de
interesse unicamente histórico.
De sua perfeita consonância com o
ensinamento pontifício dão testemunho calorosas cartas de apoio dos Emmos.
Cardeais Silvio Oddi, Luigi Ciappi, Alfons M. Stickler e Bernardino Echeverría,
e de teólogos de fama mundial, como os padres Raimondo Spiazzi OP, Victorino
Rodríguez OP, e Anastasio Gutiérrez CMF.
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