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O
verdadeiro pensador deve ser também um observador da realidade palpável de
todos os dias
Como jornalista, comecei minha carreira
no “Legionário”, então expressão do pensamento da Congregação Mariana da
paróquia de Santa Cecília, e mais tarde órgão oficioso da Arquidiocese de São
Paulo. Algo já disse sobre minha atuação à frente desse periódico, do qual fui
diretor de 1933 a 1947.
Em 1951, com a maior parte dos antigos
colaboradores do “Legionário”, comecei a escrever no mensário Catolicismo
, que então se fundava, e o qual continua a ser publicado com crescente
pujança. Catolicismo tem uma tiragem
média que atinge 15 mil exemplares, além de edições especiais de várias dezenas
de milhares.
Foi também em Catolicismo que criei e mantive, durante vários anos, a
seção Ambientes, Costumes, Civilizações , por muitos apontada como a
expressão rica e original de uma escola de produção intelectual. Essa seção
constava da análise comparativa de aspectos do presente e do passado, tendo por
objeto monumentos históricos, fisionomias características, obras de arte ou de
artesanato, apresentados ao leitor através de fotos. Tal análise, feita à luz
dos princípios que explicitei em Revolução e Contra-Revolução , tinha
por meta mostrar que a vida de todos os dias, em seus aspectos-ápices ou
triviais, é suscetível de ser penetrada pelos mais altos princípios da Filosofia
e da Religião. E não só penetrada, mas também utilizada como meio adequado para
afirmar ou então negar—de modo implícito, é verdade, mas insinuante e
atuante—tais princípios. De tal forma que, freqüentemente, as almas são
modeladas muito mais pelos princípios vivos que pervadem e embebem os ambientes, os costumes e as
civilizações, do que pelas teorias por vezes estereotipadas e até mumificadas,
produzidas à revelia da realidade, em algum isolado gabinete de trabalho ou
postas em letargo em alguma biblioteca empoeirada. De onde a tese de Ambientes,
Costumes, Civilizações consistir em
que o verdadeiro pensador também deve ser normalmente um observador analista da
realidade concreta e palpável de todos os dias. Se católico, esse pensador tem
ademais o dever de procurar modificar essa mesma realidade, nos pontos em que
ela contradiga a doutrina católica.
De 1968 a 1990 colaborei como articulista
assíduo na “Folha de S. Paulo”, analisando problemas da atualidade brasileira e
mundial sob o ângulo doutrinário. Com freqüência que se tornou habitual, meus
artigos são reproduzidos em jornais norte-americanos e latino-americanos.
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