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O caráter tradicionalista
de uma corrente de pensamento não lhe tira a visão da realidade
Em meus livros e artigos, denunciei
amplamente o grande desgaste do comunismo marxista e sua incapacidade de
empolgar as multidões e conquistar o poder, e, conseqüentemente, a necessidade
em que ele se encontrou, para dar curso à Revolução encalhada, de recorrer com
eficiência aos ardis da guerra psicológica revolucionária.
Acontecimentos posteriores patentearam
tragicamente, diante do mundo estupefato, a procedência de minhas afirmações
sobre o impressionante desgaste do chamado comunismo ortodoxo. Acentuo o fato
para mostrar que o caráter tradicionalista de uma corrente de pensamento não
lhe tira a visão da realidade. Pelo contrário, nenhuma análise lúcida do
presente pode prescindir da tradição que o impregna, e em função da qual—a
favor ou contra—se estrutura o porvir.
Empreguei intencionalmente a expressão corrente
de pensamento . Creio que, mais ainda do que em meus livros e na minha
atuação como professor universitário e jornalista, encontro a imagem de meu
pensamento e o fruto de meu trabalho doutrinário em um grupo de estudos e de
ação, que se constituiu inicialmente em torno do “Legionário”, e em seguida de Catolicismo
. Fosse este grupo socialista ou comunista, e as tubas da propaganda já teriam
levado seu nome ao conhecimento do mais largo público, tal a inteligência, a
cultura, a lucidez de observação que distinguem meus nobres companheiros.
Preferiram eles, entretanto, aceitar desinteressadamente as conseqüências da
campanha de silêncio que tenta abafar implacavelmente, em nossos dias de
pretensa liberdade, a voz de quantos cantam fora do coro da Revolução
universal.
Destaco aqui o nome daqueles que a
Providência já chamou a si: pelo brilho de sua colaboração no “Legionário” e em
Catolicismo , o vigoroso polemista que foi o engenheiro José de Azeredo
Santos; o professor universitário Fernando Furquim de Almeida, autor de estudos
históricos de alto mérito; o advogado, escritor e redator exímio, José Carlos
Castilho de Andrade, sob cujas mãos os artigos e textos de Catolicismo alcançavam um brilho e uma correção inexcedíveis.
Foi ainda uma emanação dessa corrente de pensamento o livro penetrante, ao qual
já me referi, de Fábio Vidigal Xavier da Silveira, Frei, o Kerensky chileno
, qualificado de “profético” por observadores políticos chilenos.
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