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TFP: os valores
essenciais da civilização cristã despertam entusiasmo e dedicação incontáveis
O mencionado núcleo de homens de estudo e
de ação constituiu o pugilo inicial da Sociedade Brasileira de Defesa da
Tradição, Família e Propriedade. Essa Sociedade é não só um precioso
instrumento de difusão de todas as obras aqui referidas, mas também uma pública
afirmação de que na juventude de hoje a tradição, a família e a propriedade,
valores essenciais da civilização cristã, são capazes de despertar entusiasmo e
dedicação sem limites.
Nos cursos, nas pensões, nas sedes que a
TFP mantém em cerca de trinta cidades dos mais diversos Estados da Federação, a
grande maioria dos freqüentadores são jovens que se transformam em cooperadores
abnegados e fervorosos. Ultrapassam eles, em nosso País, a cifra de 1.200.
Os jovens cooperadores da TFP são
provenientes de famílias das mais variadas classes sociais, desde
representantes da antiga nobreza imperial, da velha aristocracia rural da I
República e dos novos capitalistas do mundo industrial e bancário da II
República, até famílias de trabalhadores manuais, passando por toda a gama dos
estratos sociais intermediários.
A TFP conta também com a colaboração de correspondentes-esclarecedores
, isto é, pessoas que, permanecendo extrínsecas ao quadro social, dão
solidariedade irrestrita aos princípios e aos métodos desta Sociedade, e
empregam o tempo que lhes deixe livres o cumprimento de seus deveres familiares
e profissionais, na propaganda da TFP, de suas doutrinas e ideais.
Graças ao trabalho desinteressado e
elevadamente idealista dos cooperadores da TFP e, na medida de suas
possibilidades, dos correspondentes da mesma, a entidade tem podido empreender
uma série de campanhas, cuja narração entra a propósito aqui, porque são reflexo
do pensamento a que dediquei minha vida:
_ Em 1966, o Governo Castelo Branco
apresentou um projeto de Código Civil divorcista. Mantendo na rua, durante
cinqüenta dias, uma média de quatrocentos coletores de assinaturas, foi
possível à TFP reunir 1.042.359 firmas contrárias ao divórcio. O Governo
retirou o projeto.
_ Em 1968, a TFP realizou em todo o
Brasil uma campanha de coleta de assinaturas, desta vez pedindo a Paulo VI
medidas contra a infiltração esquerdista em meios católicos. O fato detonador da
campanha foi o tristemente célebre documento Comblin , no qual o
sacerdote belga Joseph Comblin, acobertado em Recife por D. Helder Câmara,
pregava reformas escandalosamente subversivas. Nessa ocasião, 1.600.368
brasileiros subscreveram, em apenas 58 dias, o abaixo-assinado. As TFPs da
Argentina, Chile e Uruguai resolveram fazer análoga campanha face a problemas
surgidos nos seus respectivos países, o que resultou no envio a Paulo VI de um
total de 2.025.201 assinaturas.
_ Já no ano seguinte tratou-se da difusão
de um número especial de Catolicismo , denunciando os chamados “grupos
proféticos” e o IDO-C, organismos enquistados na Igreja para corroê-la
internamente, e levá-la depois a jogar-se na subversão. Nessa ocasião, dezenove
caravanas de jovens propagandistas percorreram, em 70 dias, 514 cidades (em
vinte Estados) de nosso território. Foram então vendidos 165 mil exemplares de Catolicismo
. Foi nessa campanha que, pela primeira vez, por iniciativa minha, a TFP
lançou, para uso dos seus cooperadores, a capa rubra ostentando o leão áureo,
hoje tão conhecida. Juntamente com o estandarte, as capas têm marcado, de lá
para cá, não só a fisionomia da TFP, mas—por ocasião das campanhas da
entidade—a própria paisagem das cidades brasileiras.
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Cinqüenta cidades de nosso País assistiram, em 1970, à campanha de
divulgação, feita pela TFP, de um artigo-manifesto que redigi, intitulado Toda
a verdade sobre as eleições no Chile . Contribuiu ele sensivelmente para
anular o mau efeito que a propaganda comunista procurava produzir no Brasil,
quando da eleição do socialo-comunista Allende para Presidente da República
andina. Foram distribuídos na ocasião 550 mil exemplares desse manifesto, além
da venda, em larga escala, de Frei, o Kerensky chileno .
- Em dezembro do mesmo ano, a TFP
arrecadou, em campanha pública realizada em quatro das principais capitais do
País, grande quantidade de dinheiro, roupas, brinquedos e gêneros alimentícios,
para o Natal dos pobres. O produto da coleta foi entregue a associações de
caridade, para que o distribuíssem.
- Em fins de 1972 e início de 1973, a TFP
promoveu uma campanha de porte nacional para a difusão da corajosa e
oportuníssima Carta Pastoral sobre Cursilhos de Cristandade , de D.
Antonio de Castro Mayer *. Nela, o então Bispo de Campos alertava os
católicos de sua Diocese sobre perigosos erros doutrinários, inclusive abertura
para o marxismo, que afetavam numerosos setores desse movimento. Em quatro
meses, treze caravanas com 120 propagandistas percorreram 1328 cidades de norte
a sul do Brasil, vendendo 93 mil exemplares da Pastoral.
- Em 1974, sócios e cooperadores da TFP empenham-se
em ajudar o Exército Azul de Nossa Senhora de Fátima a promover a peregrinação
da Imagem de Nossa Senhora de Fátima, que chorara milagrosamente em Nova
Orleans, Estados Unidos. O bem que essa Imagem Peregrina tem feito às almas, no
Brasil e no Exterior, é literalmente incalculável. Mais de 500 mil pessoas
acorreram para venerá-la em seu percurso pela América do Sul.
- Em 1975 o divorcismo voltou à carga,
através de duas emendas constitucionais. A TFP também retornou às ruas, desta
vez para difundir a Carta Pastoral Pelo casamento indissolúvel , do
Bispo de Campos, D. Antonio de Castro Mayer. Em pouco mais de um mês
venderam-se cem mil exemplares da Carta Pastoral. As emendas divorcistas foram
rejeitadas.
- A partir de maio de 1977, a TFP do
Brasil, bem como as demais TFPs do continente americano, divulgaram em seus
respectivos órgãos de imprensa e em dezenas de milhares de folhetos um
importante estudo entregue pela TFP norte-americana aos membros de ambas as
Casas do Congresso, ao Departamento de Estado e a influentes personalidades da
vida pública dos Estados Unidos. Intitulado Direitos humanos na América
Latina—o utopismo democrático de Carter favorece a expansão comunista , o
estudo da TFP norte-americana observa que a administração Carter _”se outorgou
o direito de definir, dogmaticamente, e com validade absoluta para todos os
povos, grande número de pontos controvertidos, como se fosse uma espécie de
Vaticano infalível, determinando a natureza das liberdades civis que todas as
nações têm que aceitar”.
- Expoentes da Teologia da Libertação
reuniram-se em fins de fevereiro de 1980 em Taboão da Serra, em São Paulo. À
noite, entretanto, eram realizadas pelas CEBs sessões de animação dos
participantes da jornada de Taboão da Serra, no Teatro da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (TUCA). A noite de 28 de fevereiro foi
especialmente consagrada à Revolução Sandinista da Nicarágua, e constituiu um
forte incitamento à guerrilha, feito pelos sandinistas à esquerda católica
brasileira e de toda América Latina. Catolicismo obteve a gravação da sessão (facultada,
aliás, a qualquer pessoa presente) e a publicou, com comentários meus, no
número de julho-agosto de 1980. As caravanas de propagandistas da TFP
divulgaram a reportagem de Catolicismo
por todo o território nacional (36.500 exemplares). As TFPs da
Argentina, Colômbia, Equador, Uruguai e Espanha reproduziram meu estudo sobre a
_ Noite Sandinista em seus respectivos países, totalizando, com a edição do
Brasil, 80.500 exemplares.
- Consultados por proprietários rurais,
os professores Sílvio Rodrigues, da Faculdade de Direito da Universidade de São
Paulo, e Orlando Gomes, da Faculdade de Direito da Universidade Federal da
Bahia, afirmam, em bem fundamentados pareceres, que toca aos fazendeiros, desassistidos
do Poder Público, o direito de defender-se à mão armada contra bandos de
desordeiros que tentam invadir suas propriedades, com a intenção de ocupá-las
ilegalmente. A partir de janeiro de 1986, a TFP deu a mais ampla divulgação aos
pareceres dos dois eminentes jurisconsultos, fazendo-os publicar em 87 jornais
de 76 cidades de 21 Estados.
- Durante 130 dias, de 31 de maio a
princípios de outubro de 1990, as TFPs e Bureaux -TFP reuniram 5.218.020
assinaturas em 26 países, para um abaixo-assinado hipotecando solidariedade à
declaração de independência da Lituânia do jugo soviético. Uma delegação das
TFPs, de onze membros, entregou o abaixo-assinado ao Presidente da Lituânia,
Vytautas Landsbergis, no dia 4 de dezembro de 1990. No dia 6, já em Moscou, a
delegação se fez fotografar em plena Praça Vermelha, desfraldando um estandarte
da entidade, com todos os seus integrantes portando a capa vermelha
característica das TFPs. E no dia 11 do mesmo mês a comitiva entregou, nos
próprios escritórios do Kremlin, uma carta coletiva dos presidentes de todas as
TFPs ao Presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, solicitando-lhe formalmente que,
diante dessa categórica manifestação do mundo livre, removesse todos os
obstáculos que impediam a Lituânia de alcançar sua plena independência.
- Entre as memoráveis campanhas da TFP,
incluem-se também as de difusão dos livros que escrevi, bem como das demais
obras editadas sob os auspícios da entidade. Dentre estas, cabe destacar, pela
sua originalidade, a coleção intitulada Diálogos Sociais . Consiste ela
em vários opúsculos que tratam de diversos temas ligados à problemática
comunismo-anticomunismo, no diapasão em que são habitualmente sentidos e
comentados pelo homem comum em conversas caseiras e encontros de rua. Os Diálogos
Sociais colocam ao alcance do
grande público, de modo resumido e substancioso, argumentos para que ele possa
premunir-se contra as artimanhas da propaganda do socialismo e do comunismo. Os
três opúsculos da coleção editados no Brasil intitulam-se: N° 1 -- A
propriedade privada é um roubo? ; N° 2 -- Devemos trabalhar só para o
Estado? ; N° 3 -- É anti-social economizar para os filhos? Em edições sucessivas foram vendidos, no
Brasil, 100 mil exemplares de cada opúsculo.
- Outras atuações da TFP: publicação de
manifestos pelos jornais e estudos enviados às autoridades mostrando os
aspectos socializantes da lei do inquilinato; carta ao Presidente Castelo
Branco em prol de uma lei de imprensa que conciliasse a repressão dos abusos
com uma justa e adequada liberdade; missas anuais realizadas: 1) pelas almas das vítimas que o comunismo vem
fazendo, desde 1917, em todo o mundo, em particular no Brasil, através de atos
de terrorismo, e 2) pela libertação dos povos escravizados pela seita vermelha;
campanhas realizadas pelos estudantes da entidade a fim de alertar a juventude
universitária sobre a origem e objetivos esquerdistas de certas fermentações
estudantis; memorial ao Ministro da Justiça contra o aborto; visitas sistemáticas
a hospitais, a fim de levar o conforto de uma palavra cristã e de uma dádiva
material aos doentes, principalmente os mais pobres e abandonados; recolhimento
de roupas e alimentos de pessoas abastadas e posterior distribuição nos bairros
pobres.
Se quisesse historiar aqui tudo o que a
TFP tem feito na linha da difusão doutrinária e do combate ideológico, seria um
não mais acabar. Citei, portanto, apenas as grandes campanhas levadas a cabo
pela organização que fundei, e cujo Conselho Nacional tenho a honra de
presidir. Elas têm cabida aqui porque completam, mais ainda do que meu retrato
filosófico, a fisionomia dos princípios que defendo.
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