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Plinio Corrêa de Oliveira
Auto-retrato filosófico

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  • “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados...”
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 “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados...”

Mas—perguntará alguém—quando existiu historicamente essa civilização cristã perfeita? Será a perfeição realizável nesta vida?

A resposta a estas perguntas chocará e irritará muitos leitores. Sem embargo, devo afirmar que houve tempo no qual uma larga parte da humanidade conheceu esse ideal de perfeição e para ele tendeu com fervor e sinceridade. Em conseqüência dessa tendência das almas, os traços fundamentais da civilização se tornaram tão cristãos quanto o permitiram as circunstâncias de um mundo que se ia soerguendo da barbárie. Refiro-me à Idade Média, da qual, a despeito desta ou daquela falha, Leão XIII escreveu com eloqüência: Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer*.

 

Este modo de ver a amplitude da influência da Igreja na Idade Média, nós o encontramos também no seguinte texto de Paulo VI, referente ao papel do Papado na Itália medieval: “Não esquecemos os séculos durante os quais o Papado viveu sua História [da Itália], defendeu suas fronteiras, guardou seu patrimônio cultural e espiritual, educou as suas gerações para a civilização, para a polidez, para a virtude moral e social, e associou sua consciência romana e seus melhores filhos à própria missão universal [do Papado]”*.

Assim, a civilização cristã não é uma utopia. É algo de realizável, e que em determinada época se realizou efetivamente. Algo, enfim, que durou de certo modo mesmo depois da Idade Média, a tal ponto que o Papa São Pio X pôde escrever: “A civilização não mais está para ser inventada, nem a cidade nova para ser construída nas nuvens. Ela existiu, ela existe: é a civilização cristã, é a cidade católica. Trata-se apenas de instaurá-la e restaurá-la sem cessar sobre seus fundamentos naturais e divinos contra os ataques sempre renascentes da utopia malsã, da revolta e da impiedade *. Portanto, a civilização cristã tem largos vestígios ainda vivos em nossos dias.




* Encíclica Immortale Dei de de novembro de 1885, Bonne Presse,  Paris, vol. II, p. 39.

* Alocução ao Presidente da República Italiana de 11 de janeiro de 1964, Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. II, p. 69.

* Carta Apostólica _ Notre Charge Apostolique de 25 de agosto de 1910, Acta Apostolicae Sedis , vol. II, p. 612.




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