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Orgulho e sensualidade:
importância culminante no processo de revolta contra a Igreja
Especialmente duas paixões podem suscitar
a revolta do homem contra a Moral e contra a Fé cristãs: o orgulho e a
sensualidade.
O orgulho leva-o a rejeitar qualquer
superioridade existente em outrem, e gera nele um apetite de preeminência e de
mando que facilmente chega ao paroxismo. Pois o paroxismo é o ponto final para
o qual tendem todas as desordens. Em seu estado paroxístico, o orgulho assume
coloridos metafísicos: já não se contenta em sacudir em concreto esta ou aquela
superioridade, esta ou aquela estrutura hierárquica, mas deseja a abolição de
toda e qualquer superioridade, em qualquer campo em que exista. A igualdade
onímoda e completa se lhe afigura então a única situação suportável e, por isso
mesmo, a suprema regra da justiça. Assim, o orgulho acaba por engendrar uma
moral própria. E no âmago dessa moral orgulhosa está um princípio metafísico: a
ordem do ser postula a igualdade, e tudo quanto é desigual é ontologicamente mau.
A igualdade absoluta é, para o que
chamaríamos de orgulhoso integral , o valor supremo ao qual tudo tem de
se conformar.
A luxúria é outra paixão desordenada, de
importância culminante no processo de revolta contra a Igreja. De si, ela induz
ao desbragamento, e convida assim o homem a calcar aos pés toda lei, a rejeitar
como insuportável todo freio. Seus efeitos se somam aos do orgulho, para
suscitar na mente humana toda espécie de sofismas capazes de minar no seu âmago
o próprio princípio de autoridade.
Por isso, a tendência que o orgulho e a
sensualidade despertam orienta-se para a abolição de toda desigualdade, de toda
autoridade e de toda hierarquia.
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