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Processos opostos: a Fé
convida ao amor à hierarquia; a
corrupção, ao igualitarismo anárquico
Claro está que essas paixões
desordenadas, ainda quando o homem capitula diante delas, podem encontrar em
uma alma—ou no espírito de um povo—contrapesos representados por convicções,
tradições, etc.
Nesse caso, a alma—ou a mentalidade do povo—fica
dividida em dois pólos opostos: de um lado a Fé, que convida à austeridade, à
humildade, ao amor de todas as hierarquias legítimas; e de outro lado a
corrupção, que convida ao igualitarismo completo, an-árquico no sentido
etimológico da palavra. Como pouco adiante se verá, a corrupção acaba por
induzir à dúvida religiosa e à negação completa da Fé.
O mais das vezes, a opção entre esses
pólos não se faz de um momento para o outro, mas aos poucos. Por meio de
sucessivos atos de amor à verdade e ao bem, uma pessoa ou uma nação pode ir
progredindo gradualmente na virtude, até se converter por completo. Foi o que
sucedeu com o Império Romano sob a influência das comunidades cristãs, das
preces dos fiéis nas catacumbas e nos ermos, do heroísmo que revelavam na arena
e dos exemplos de virtude que davam na vida cotidiana. É um processo de
ascensão.
O processo também pode ser de decadência.
Ao embate das paixões desordenadas, as boas convicções vão sendo abaladas, as
boas tradições vão perdendo sua seiva, os bons costumes vão sendo substituídos
por costumes picantes , que degeneram para o francamente censurável, e
chegam por fim ao escandaloso.
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