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Quem for
igualitário terá forçosamente objeções contra a Fé
Resta-me dizer uma palavra sobre o nexo
existente entre o igualitarismo absoluto e metafísico, e a Fé. Quem for
radicalmente igualitário terá forçosamente um sem-número de objeções à doutrina
católica. Os conceitos de um Deus pessoal, perfeito e eterno, que paira
infinitamente acima de suas criaturas imperfeitas e contingentes; da ordem
sobrenatural, que transcende a ordem natural; da Lei promulgada por Deus, à
qual cumpre obedecer; da Revelação, que comunica à mente humana verdades
superiores à sua capacidade natural de conhecimento; do Magistério infalível da
Igreja; das notas monárquica e aristocrática da estrutura desta; tudo, enfim, e
até a noção de um Juízo em que os bons vão ser premiados e os maus castigados,
irrita o igualitário e o convida à negação.
A contrario sensu , o católico aprende em Santo Tomás ( Summa Theologica , I, q.
47, a. 2) que a desigualdade é uma condição necessária para a perfeição da
ordem criada. E, em conseqüência, as desigualdades de poder, ciência, categoria
social e fortuna são intrinsecamente legítimas e indispensáveis à boa ordem,
desde que não se acentuem a ponto de negar a cada homem a dignidade, a
suficiência e a estabilidade de vida a que tenha direito por sua condição de
homem, por seu trabalho, etc.
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