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A Contra-Revolução deve
apontar os erros metafísicos fundamentais da Revolução
Ao longo dos últimos séculos, muitos
movimentos se têm erguido contra o processo revolucionário. Mas o êxito
concreto por eles alcançado foi transitório, e às vezes nulo. Não que a esses
movimentos faltasse o apoio de talentos brilhantes, de pessoas altamente
colocadas e até de largos setores populares. Mas esses movimentos o mais das
vezes se limitaram a combater a Revolução em uma ou outra de suas expressões
religiosas, políticas, sociais ou econômicas. Se bem que, de quando em quando,
fizessem aceno aos erros revolucionários mais profundos e de porte metafísico,
eles não insistiam suficientemente neste ponto. Daí o fato de a Revolução
continuar incólume o seu curso.
Outros julgaram mais hábil, para detê-la,
usar a sua linguagem e as suas técnicas, e investir contra alguns dos abusos
inegáveis que a própria Revolução denunciava. Procuraram assim tirar-lhe os
pretextos . Ora, combater abusos é sempre meritório; mas quanta ingenuidade
havia em imaginar que a força da Revolução estava sobretudo na indignação
causada por certos abusos contra os quais ela bradava! A História provou a falência
dessa tática. Certos abusos existentes ainda há algumas décadas foram de tal
modo corrigidos na Europa, que Pio XII pôde dizer ao “Katholikentag” de Viena:
”Diante do olhar da Igreja se apresenta hoje em dia a primeira época das
lutas sociais contemporâneas. Em seu âmago dominava a questão operária: a
miséria do proletariado e o dever de elevar esta classe de homens, entregue sem
defesa às incertezas da conjuntura econômica, até a dignidade das outras
classes da cidade, dotadas de direitos precisos. Este problema pode ser hoje em
dia considerado como resolvido, ao menos nas suas partes essenciais, e o mundo
católico contribuiu para esta solução de modo leal e eficaz” *.
Entretanto, a Revolução continua a rugir, mais ameaçadora do que nunca.
Assim, sem negar o caráter meritório de
tantos movimentos de sentido contra-revolucionário no passado ou no presente,
sem negar também o que há de benemérito na luta contra injustiças que a atual
ordem de coisas apresenta, parece-me que a grande necessidade de nossos dias é
assinalar os erros metafísicos fundamentais da Revolução e a coesão íntima
existente entre esses três vagalhões que se jogaram sucessivamente contra a
Cristandade ocidental: numa primeira etapa, o Humanismo, a Renascença e a
Pseudo-Reforma protestante (primeira Revolução); mais tarde, a Revolução
Francesa (segunda Revolução); e, por fim, o Comunismo (terceira Revolução).
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