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Plinio Corrêa de Oliveira
Auto-retrato filosófico

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  • A Contra-Revolução deve apontar os  erros  metafísicos fundamentais da Revolução
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A Contra-Revolução deve apontar os  erros  metafísicos fundamentais da Revolução

Ao longo dos últimos séculos, muitos movimentos se têm erguido contra o processo revolucionário. Mas o êxito concreto por eles alcançado foi transitório, e às vezes nulo. Não que a esses movimentos faltasse o apoio de talentos brilhantes, de pessoas altamente colocadas e até de largos setores populares. Mas esses movimentos o mais das vezes se limitaram a combater a Revolução em uma ou outra de suas expressões religiosas, políticas, sociais ou econômicas. Se bem que, de quando em quando, fizessem aceno aos erros revolucionários mais profundos e de porte metafísico, eles não insistiam suficientemente neste ponto. Daí o fato de a Revolução continuar incólume o seu curso.

Outros julgaram mais hábil, para detê-la, usar a sua linguagem e as suas técnicas, e investir contra alguns dos abusos inegáveis que a própria Revolução denunciava. Procuraram assim tirar-lhe os pretextos . Ora, combater abusos é sempre meritório; mas quanta ingenuidade havia em imaginar que a força da Revolução estava sobretudo na indignação causada por certos abusos contra os quais ela bradava! A História provou a falência dessa tática. Certos abusos existentes ainda há algumas décadas foram de tal modo corrigidos na Europa, que Pio XII pôde dizer ao “Katholikentag” de Viena: ”Diante do olhar da Igreja se apresenta hoje em dia a primeira época das lutas sociais contemporâneas. Em seu âmago dominava a questão operária: a miséria do proletariado e o dever de elevar esta classe de homens, entregue sem defesa às incertezas da conjuntura econômica, até a dignidade das outras classes da cidade, dotadas de direitos precisos. Este problema pode ser hoje em dia considerado como resolvido, ao menos nas suas partes essenciais, e o mundo católico contribuiu para esta solução de modo leal e eficaz *. Entretanto, a Revolução continua a rugir, mais ameaçadora do que nunca.

Assim, sem negar o caráter meritório de tantos movimentos de sentido contra-revolucionário no passado ou no presente, sem negar também o que há de benemérito na luta contra injustiças que a atual ordem de coisas apresenta, parece-me que a grande necessidade de nossos dias é assinalar os erros metafísicos fundamentais da Revolução e a coesão íntima existente entre esses três vagalhões que se jogaram sucessivamente contra a Cristandade ocidental: numa primeira etapa, o Humanismo, a Renascença e a Pseudo-Reforma protestante (primeira Revolução); mais tarde, a Revolução Francesa (segunda Revolução); e, por fim, o Comunismo (terceira Revolução).




* Pio XII, Radiomensagem de 14 de setembro de 1952, Discorsi e Radiomessaggi di Sua Santità Pio XII , Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. XIV, p. 313.




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