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Se o Brasil não conheceu
a desgraça da pulverização agrária, deve-o a RA-QC
É o momento de mencionar algumas
realizações contra-revolucionárias de envergadura, levadas a cabo pelas TFPs
nos respectivos países.
Em 1960, fervilhava no Brasil uma
agitação agrária... quase toda ela urbana! Uma propaganda sabiamente
orquestrada nas grandes cidades procurava fazer crer que todo o nosso mundo
rural estava a ponto de explodir em virtude do descontentamento da classe dos
trabalhadores manuais. Segundo se dizia, para desarmar a efervescência das
massas rurais—prevenindo assim uma hecatombe—impunha-se fazer uma Reforma
Agrária. Esta consistiria fundamentalmente em que o Poder Público expropriasse
a preço vil os latifúndios improdutivos, em vista de distribuir terra aos
pequenos agricultores. O próprio dinamismo do espírito igualitário que animava
os agro-reformistas levá-los-ia entretanto a eliminar progressivamente todas as
grandes e médias propriedades, transformando nossa estrutura rural numa imensa
contextura de pequenas propriedades de dimensão familiar. Foi quando veio a
lume o livro Reforma Agrária—Questão de Consciência . Obra de grande porte,
exigia um trabalho de equipe. Foi assim que redigi a primeira parte do livro,
submetendo-a depois à consideração de dois ilustres prelados, Dom Antonio de
Castro Mayer, então Bispo de Campos, e Dom Geraldo de Proença Sigaud, então
Bispo de Jacarezinho, depois Arcebispo de Diamantina, para que fizessem a
revisão do texto, sob o ponto de vista especificamente teológico. A segunda
parte, de natureza técnica, ficou a
cargo do economista Luiz Mendonça de Freitas *.
A obra teve uma acolhida muito favorável
nos meios rurais e foi objeto de manifestações de aplauso da parte de
governadores, deputados estaduais e federais, senadores, centenas de prefeitos,
câmaras municipais e entidades de classe.
Os mesmos autores publicamos em 1964 a Declaração
do Morro Alto , programa positivo de Reforma Agrária*.
No seu conjunto, essas obras constituíram
ao mesmo tempo uma franca e enérgica defesa do princípio da propriedade
privada, negado mais ou menos veladamente pelo agro-reformismo socialista e
expropriatório, bem como uma afirmação da função social do referido princípio,
para a correção de abusos e falhas existentes em nossa situação rural.
Reforma Agrária—Questão de Consciência deu origem a polêmicas que
alertaram a opinião pública para os verdadeiros objetivos das reformas de
estrutura então preconizadas pelas correntes de esquerda, e desse modo
contribuiu para a formação do clima ideológico e psicológico que cortou o passo
à instalação da república sindicalista então desejada pelo Presidente João
Goulart.
Inegavelmente, se nosso País não conheceu
a desgraça da pulverização de sua estrutura agrária num número incontável de
minifúndios de baixa produção, deve-o em muito larga medida a esse livro.
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