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Tribalismo indígena,
ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI
Para o estruturalismo , cujo
expoente máximo foi o filósofo Lévy Strauss, a sociedade indígena, por ter ”resistido
à História” , é a que mais se aproxima do ideal humano. E é para essa forma
de vida pré-neolítica que—segundo essa corrente filosófica—devemos retornar.
Se causa espanto que filósofos ateus
defendam teses tão absurdas, mais ainda deve estarrecer que missionários
católicos propugnem como padrão perfeito de homem o índio selvático, e como
modelo ideal de vida humana a vida na taba.
Não obstante, é bem isto o que acontece.
Uma nova corrente missiológica, com livre trânsito nos meios eclesiásticos,
sustenta que a civilização atual deve desaparecer, para dar lugar ao sistema de
vida tribal. Institutos como a propriedade privada, a família monogâmica e o
casamento indissolúvel devem ser eliminados. A figura clássica dos
missionários—evangelizadores e civilizadores --, como o foram os Padres José de
Anchieta e Manoel da Nóbrega, deve ser abandonada. A nova corrente
missiológica, porque não quer civilizar, não quer catequizar. E porque não quer
catequizar, também não quer civilizar.
Insinua-se nessa conduta uma questão
tática. Se a missiologia atualizada
elogiasse a comunidade de bens implantada nos países comunistas,
expor-se-ia inevitavelmente a críticas e refutações incômodas.
Esquivando o perigoso assunto, os novos
missionários fazem a apologia do sistema de vida tribal: exalçam nele a
comunidade de bens, a inexistência de lucro, de capital, de salários, de
patrões e empregados, de “privilegiados” e “marginalizados”, de “opressores” e
“oprimidos”, como dizem. E assim aproveitam a ocasião para invectivar a
propriedade privada, em vigor nas nações civilizadas do Ocidente.
O efeito concreto dessa tática é que o
elogio torrencial da nova missiologia à propriedade comum, vigente nas tribos
indígenas, nem de longe levantou entre nós a celeuma que a apologia direta das
sociedades comunistas de além cortina de ferro certamente despertaria.
Não cabe entretanto a menor dúvida. É bem
uma sociedade de tipo comunista que transparece nessa visão idílica do índio
selvático, apresentada pela neomissiologia como ideal para o homem do século
XXI.
O maior problema suscitado por esses
delírios não está nos próprios missionários nem nos índios, cumpre repetir.
Está em saber como, na Santa Igreja Católica, pôde esgueirar-se impunemente
essa filosofia, intoxicando seminários, deformando missionários, desnaturando
missões. E tudo com tão forte apoio de certa retaguarda eclesiástica.
Tribalismo indígena, ideal comuno-missionário
para o Brasil no século XXI foi o livro que publiquei no final de 1977,
para dar a conhecer aos brasileiros essa faceta inesperada da crise na Igreja.
Catolicismo o publicou em primeira mão
(n° 323/324, de novembro-dezembro de 1977). Ainda em dezembro de 1977, a
Editora Vera Cruz lançou a primeira edição em forma de livro, e depois mais
seis edições, totalizando 76 mil exemplares.
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