|
Guerreiros da Virgem: a
réplica da autenticidade—A TFP sem segredos
Toda a luta que venho desenvolvendo
contra a Revolução não ficaria adequadamente descrita se não mencionasse a
contra-ofensiva dos adversários, que se segue a cada lance maior desse combate.
Enveredar pela narração pormenorizada de
tal contra-investida seria alongar em demasia este auto-retrato filosófico.
Restrinjo-me a um exemplo típico.
Apenas oito dias após seu primeiro lance
na batalha anti-agro-reformista que acaba de ser descrita, a TFP era objeto de
uma investida publicitária em matéria alheia à controvérsia agrária: uma
reportagem publicada em “O Estado de S. Paulo”, ocupando página inteira, sob o
título Guerreiros da Virgem, escravos da TFP .
Tal reportagem fora precedida por vistosa
propaganda publicada durante todos os dias da semana anterior.
Fazendo eco à publicidade de “O Estado de
S. Paulo”, 29 outros jornais e revistas de todo o País divulgaram matérias de
variadas extensões, com esse mesmo conteúdo.
O eixo de toda a celeuma era o livro Guerreiros
da Virgem—A vida secreta da TFP , pouco depois colocado à venda nas
livrarias de São Paulo e de outras cidades do Brasil. Seu autor, o Sr. José
Antonio Pedriali, fora cooperador da entidade, e agora integrava o quadro de
jornalistas de “O Estado de S. Paulo”.
Para condensar numa única frase todo o
extenso corpo de acusações do Sr. J.A.P., pode-se dizer que, segundo ele, a TFP
seria uma seita de caráter
iniciático que, por meio da lavagem cerebral , produz efeitos altamente
danosos sobre seus sócios e cooperadores.
Tão pesadas acusações eram feitas em tom
de uma aparente naturalidade, quase sorridente. Ao mesmo tempo, o livro inclui
descrições tão cruamente imorais, e até tão obscenas, de lances da conduta do
autor em seu processo de afastamento da TFP, que poderiam figurar na farta
literatura pornográfica atualmente em curso no País.
Tudo isto vinha à tona, como foi dito, no
preciso momento em que a TFP se erguia mais uma vez contra a Reforma Agrária
socialista e confiscatória. Procurava-se inculcar no público uma nova imagem da
entidade: a TFP não seria... anticomunista! Não seria o que todo o povo
brasileiro sabe que, desde sua fundação, ela é de modo ininterrupto, notório e
heróico. Seria, pelo contrário, uma seita obscura, e todo o gigantesco esforço anticomunista de seus sócios
e cooperadores não passaria de uma miragem, de um embuste.
Apesar da propaganda estrondejante que
precedeu e acompanhou o lançamento desse livro, ele nem de longe causou o
efeito que seu autor e a lançadora pareciam esperar.
”Tudo quanto é exagerado é
insignificante” -- afirmou
Talleyrand. O desmesurado, o evidentemente inverossímil da acusação do Sr. J.
A. Pedriali reduziu-a liminarmente à merecida insignificância.
A resposta da TFP a essas acusações
constou do livro que escrevi, Guerreiros da Virgem: a réplica da
autenticidade—A TFP sem segredos
(Editora Vera Cruz, São Paulo, 1985, 333 pp.). Nele aponto as
manipulações que se têm feito da palavra seita , com vistas a denegrir
as entidades que, como a TFP, levantem obstáculos ao processo revolucionário.
Ali mostro, também, que lavagem cerebral é uma expressão jornalística que os cientistas de bom quilate não
levam a sério.
Como de hábito, à réplica da TFP
seguiu-se o silêncio dos adversários, que nada encontraram para treplicar.
Na verdade, as batalhas da TFP, nas
quais, como é óbvio, me encontro pessoalmente envolvido, caracterizam-se por um
ritornello : 1°) a uma campanha nossa segue-se uma contra-ofensiva dos
adversários sobre um ponto extrínseco ao tema da campanha; 2°) a TFP refuta as
acusações dos adversários e estes se calam; 3°) tempos depois (às vezes anos),
os adversários (os mesmos ou outros) voltam às acusações iniciais, como se nada
houvesse sido refutado!...
|