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| Plinio Corrêa de Oliveira Auto-retrato filosófico IntraText CT - Texto |
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Primeira Revolução: Humanismo, Renascença, Protestantismo Isto posto, descobre-se o sentido profundo da Revolução A sofística e da Revolução B ocorridas na Europa, no século XV, em conseqüência da anterior Revolução A tendenciosa , acima descrita. O declínio da Idade Média foi marcado por uma explosão de orgulho e sensualidade. Essa explosão gerou tendências igualitárias e liberais, que não fizeram senão progredir nos séculos seguintes. No Humanismo e na Renascença revela-se a hostilidade ao sobrenatural, ao Magistério da Igreja, bem como à austeridade dos costumes. No Protestantismo se encontram o livre-exame, o minimalismo em face do sobrenatural, o favorecimento do divórcio, a abolição do estado religioso, das austeridades e sujeições expressas nos votos de pobreza, castidade e obediência, e a eliminação virtual da hierarquia eclesiástica. Com efeito, em quase todas as seitas protestantes há o estado eclesiástico. Mas a diferença nítida e profunda entre o eclesiástico e o leigo, existente na Igreja Católica, ficou nelas debilitada em virtude do modo pelo qual entendem o sacerdócio. Ademais, a estrutura hierárquica do estado eclesiástico, como é instituída na Igreja, também foi profundamente mutilada, nas seitas protestantes, pela negação do elemento monárquico, que é o Papado. Se entre os anglicanos a tendência igualitária não chegou a suprimir a dignidade episcopal, já entre os presbiterianos não há dignitários intitulados bispos , mas apenas presbíteros . Em outras seitas o sopro do igualitarismo chegou a ponto de abolir mesmo a condição de sacerdote . Ao realçar a importância do fator liberal e igualitário no Humanismo, na Renascença e no Protestantismo, não pretendo negar, é claro, que outras causas tenham concorrido para a gênese e expansão desses movimentos. Digo apenas que, na origem, na psicologia, nas doutrinas, no que hoje se chamaria de êxito propagandístico e nas realizações desses movimentos, a Revolução A tendenciosa , de sentido radicalmente anárquico e igualitário, representou o papel de força mestra. Também não pretendo afirmar que essa força mestra tenha atuado apenas nas nações que se separaram da Igreja. A Renascença e o Humanismo sopraram com toda a intensidade mesmo nos países que continuaram nominalmente católicos. E ainda que a Revolução A tendenciosa não tenha chegado a provocar uma ruptura explícita deles com a Igreja, despertou entretanto formas larvadas de protestantismo, das quais a principal foi o jansenismo. Este produziu um progressivo esfriamento religioso, que culminou no ceticismo. Um estudo atento do absolutismo real, que em nenhum país protestante assumiu formas mais radicais do que na França católica, mostra que a política dos monarcas absolutos, em tudo quanto não dizia respeito à sua própria autoridade, era marcada por certo espírito igualitário. A redução dos privilégios do clero e da nobreza, feita progressivamente pelos reis absolutos, rumava para uma equiparação política de todos os cidadãos sob o poder do monarca. O favorecimento contínuo, pelos reis, da parte mais atuante e desenvolvida da plebe, isto é, da burguesia, contribuiu ainda mais para a igualdade política.
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