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| Plinio Corrêa de Oliveira Auto-retrato filosófico IntraText CT - Texto |
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O católico pode e deve ser contra a Reforma Agrária A CNBB constitui um órgão oficial do Episcopado brasileiro. Assim sendo, seus pronunciamentos devem ser recebidos normalmente pelos católicos como representando o pensamento da Igreja. Não podia portanto deixar de causar a maior perplexidade entre os fiéis a publicação, ao final da reunião plenária do provecto organismo eclesiástico, em 1980, na habitual fazenda de Itaici, do documento Igreja e problemas da terra (IPT). Verdadeiro manifesto agro-reformista, o documento da CNBB procurava suscitar a ofensiva geral do País contra as propriedades rurais grandes e médias. Ademais, sugeria às autoridades governamentais medidas concretas para a imediata efetivação da partilha rural. Este fato criava gravíssima questão de consciência, não apenas para os fazendeiros, mas também para todos os católicos formados segundo a doutrina tradicional da Igreja, bem como para os homens de pensamento e de ação existentes no País. Essas três amplas e ponderáveis categorias de brasileiros muito explicavelmente poderiam se perguntar qual a efetiva validade magisterial de tantas afirmações, novas e singulares, contidas no IPT. E qual a autoridade dos argumentos doutrinários do IPT para lançar tão hirsutas e explosivas asseverações. Estava no papel da TFP romper o silêncio e dar a resposta a essas perguntas. Ela o fez por meio do livro Sou católico: posso ser contra a Reforma Agrária? (1981, 360 pp., 4 edições, 29 mil exemplares), de minha autoria, em colaboração com o Master of Science em Economia Agrária (pela Universidade da Califórnia, Berkeley, EUA), Prof. Carlos Patricio del Campo. O livro demonstra que o católico deve ser fiel, acima de tudo, aos ensinamentos tradicionais do Supremo Magistério da Igreja. Ora, um exame detido do IPT leva à conclusão de que não há consonância entre aqueles ensinamentos e a Reforma Agrária preconizada pelo documento da CNBB. Em conseqüência, o católico anti-agro-reformista tem não só o direito, como também o dever de continuar contrário à Reforma Agrária. A parte econômica da obra prova que o documento da CNBB apresenta graves lacunas, ao traçar o panorama da situação econômica da lavoura brasileira e ao apontar para a “solução”: a Reforma Agrária que pleiteia. Assim, ainda que o pronunciamento episcopal não fosse objetável do estrito ponto de vista da doutrina católica, seria inaceitável do ângulo econômico.
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