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| Plinio Corrêa de Oliveira Auto-retrato filosófico IntraText CT - Texto |
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O socialismo autogestionário em vista do comunismo: barreira ou cabeça de ponte? O título em epígrafe constitui ampla exposição e análise crítica do programa autogestionário de Mitterrand, então recém-eleito Presidente da República Francesa. Esse trabalho, redigido por mim—endossado e divulgado em nome próprio pelas treze TFPs então existentes --, foi estampado a partir de dezembro de 1981 na íntegra em 45 diários de maior circulação de 19 países da América, Europa e Oceania. Um substancioso resumo do mesmo foi publicado em 49 países dos cinco continentes, em treze idiomas. Assim, a difusão do documento atingiu uma tiragem total de 33,5 milhões de exemplares. Para aquilatar o alcance do mencionado estudo, é preciso ter em conta que, no período que precedeu a primeira eleição do Presidente François Mitterrand, a expressão _ socialismo autogestionário correspondeu a uma espécie de primavera propagandística mundial, de maneira a tornar-se moda nos ambientes da esquerda. Todo intelectual que se quisesse mostrar aggiornato , isto é, em dia, dizia-se socialista autogestionário . Tal se devia ao fato de que as palavras “socialismo” e “socialista” estavam em franco processo de envelhecimento, o qual se tratava de sustar mediante um disfarce qualquer. Algo à maneira de uma senhora cujos cabelos estão branqueando, e que por isso procura tingi-los. Assim, o socialismo, velho de tantas e tantas décadas, e já com o prateado de sua velhice estampado nos cabelos, refazia seu semblante chamando-se autogestionário . Era o modo de revitalizar-se e rejuvenescer. A denúncia mundial contra o socialismo autogestionário foi de tal porte que as palavras autogestão e autogestionário saíram de moda. E o socialismo não pôde, em seu processo de envelhecimento, continuar a recorrer à tintura que entretanto lhe estava proporcionando tão bons resultados propagandísticos. De lá para cá, só obteve escassos sucessos... Pior, o fato concreto é que o processo de envelhecimento chegou ao ponto em que, hoje em dia, o socialismo é declarado decrépito pelos seus próprios dirigentes e partidários. Uma sumária crônica dos fatos posteriores à publicação da referida análise, de minha autoria, atesta o que dissemos. 1. Com efeito, em 12 de dezembro de 1981 (ou seja, três dias após a publicação do mencionado documento), um prestigioso quotidiano de língua inglesa editado em Paris pelo “New York Times” e pelo “Washington Post”, o “International Herald Tribune”, difundido no mundo inteiro, assim descreveu a reação do governo socialista francês face à aludida análise a respeito do Projeto Socialista para a França dos anos 80 : ”Em Paris, fontes governamentais autorizadas disseram que não estavam preparadas para reagir a esta publicação, mas que a estavam estudando. ‘Absolutamente não há pânico, e estamos bem mais interessados em saber quem ou o que se encontra por detrás desta publicação’, declarou quinta-feira um porta-voz do Eliseu, acrescentando que ‘mais tarde’ poderia haver alguma reação” . Reação esta que em vão se esperaria, pois que não houve. 2. Convém recordar o que afirmava o referido Projeto Socialista para a França dos anos 80 : ”Não pode haver um Projeto Socialista só para a França. O dilema ‘liberdade ou servidão’, ‘socialismo ou barbárie’ ultrapassa as fronteiras de nosso País .... O socialismo é internacional, por natureza e por vocação .... A França ou é uma aspiração coletiva, ou ela simplesmente não é .... Imensas possibilidades existem para um país como o nosso .... de levar alto e longe, na Europa e no mundo, a mensagem universal do socialismo” (cfr. _Projet socialiste pour la France des années 80, Club Socialiste du Livre, Paris, maio de 1981, pp. 18, 108, 126, 164). Igualmente é oportuno lembrar que os socialistas da velha guarda se ufanavam de sua filiação marxista. Assim, escrevia em 1980 o ex-Primeiro-Ministro Pierre Mauroy: _ “Permanecemos fiéis ao espírito do marxismo” (cfr. Documentation Socialiste , suplemento n° 2). 3. Em dezembro de 1991 -- ou seja, depois de 10 anos de fracassadas tentativas do governo socialista de aplicar seu _Projet—em congresso extraordinário realizado pelo PSF no Arco da Defesa, o radical programa de 1981 foi substituído pelo anódino Novos Horizontes . Com efeito, pode-se ler nesse novo projeto: _ “Na verdade, o empobrecimento das classes operárias, previsto por certa análise marxista, não se produziu. O nível de vida, na França, foi quadruplicado entre 1950 e 1990 .... Já não se trata, como ocorria no que concerne à antiquada autogestão (sic!), de eliminar os empresários para substituí-los por dirigentes designados pelo Estado ou eleitos pela base .... Os representantes dos assalariados não devem substituir os chefes na direção da empresa .... A força do mercado está em ser insubstituível .... Todas as tentativas de substituí-lo acabaram por fracassar .... O socialismo reivindica e quer outra organização do Planeta, mas esta deverá desenvolver-se no contexto de um capitalismo mundializado” (cfr. Michel Charzat, _Un nouvel Horizon, pp. 94, 96 e 97). 4. Em outubro de 1992, a ministra da Habitação francesa, Marie-Noèlle Lienemann declarou: “O Partido Socialista acabou. Nós temos que criar uma nova estrutura, um novo partido” (cfr. “Folha de S. Paulo”, 22-10-92). Tais declarações equivalem a um verdadeiro atestado de óbito do sonho autogestionário dos socialistas franceses *.
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* Nota da redação—O leitor desejoso de conhecer mais pormenores sobre mais este eficaz e salutar documento do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira—e isto em nível internacional --, se verá plenamente atendido consultando o livro Um homem, uma obra, uma gesta (pp. 286 a 297). |
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