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Uniões de fato, fatores de fragilidade e graça sacramental
(38) A
presença da Igreja e do matrimônio cristão acarretou,
durante séculos, que a sociedade civil fosse capaz de reconhecer o
matrimônio na sua condição originária, à qual
Cristo alude em sua resposta.[86][86] A condição
originária do matrimônio e a dificuldade em reconhecê-la e
vivê-la como íntima verdade, na profundidade do próprio
ser, “propter duritiam cordis” resulta,
ainda hoje, de perene atualidade. O matrimônio é uma
instituição natural cujas características essenciais podem
ser reconhecidas pela inteligência para além das culturas[87][87]. Este reconhecimento da
verdade sobre o matrimônio é também de ordem moral[88][88]. Porém não se
pode ignorar o fato de que a natureza humana, ferida pelo pecado e redimida por
Cristo, nem sempre chega a reconhecer com clareza as verdades inscritas por
Deus em seu próprio coração. Eis porque o testemunho
cristão no mundo, a Igreja e seu Magistério sejam um testemunho
vivo no meio do mundo.[89][89] É também
importante neste contexto chamar a atenção para a verdadeira e
própria necessidade da graça para que a vida matrimonial se
desenvolva em sua autêntica plenitude[90][90].
Por isso, na hora de um discernimento pastoral sobre a problemática das
uniões de fato, é importante a consideração da
fragilidade humana e da importância de uma experiência e de uma
catequese verdadeiramente eclesiais, que oriente para a vida de graça, a
oração, os sacramentos e, em particular, o da
Reconciliação.
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