(39) É
necessário distinguir diversos elementos entre esses fatores de
fragilidade, que dão origem a estas uniões de fato,
caracterizadas pelo amor chamado “livre”, que omite ou exclui o próprio vínculo
e característica do amor conjugal. Ademais, é preciso, como
dizíamos antes, distinguir entre as uniões de fato a que alguns
se consideram como que constrangidos por situações
difíceis e aquelas outras buscadas em si mesmas “em atitude de desprezo,
de contestação ou de rejeição da sociedade, da
instituição familiar, das
estruturas sócio-políticas, ou de mera ma busca de prazer” [91][91]. Há que se considerar
também aqueles que são levados às uniões de fato
pela “extrema ignorância e pobreza, às vezes por condicionalismos
devidos a situações de verdadeira injustiça, ou
também por certa imaturidade psicológica, que lhes faz sentir
incerteza e temor de ligar-se com um vínculo estável e
definitivo”[92][92].
O discernimento ético, a
ação pastoral, e o compromisso cristão com as realidades
políticas deveriam levar em conta portanto, a multiplicidade de
realidades que se encontram sob o termo comum “uniões de fato”, a que
antes aludimos[93][93]. Quaisquer que sejam as
causas que as originem, essas uniões comportam “árduos problemas
pastorais, pelas graves conseqüências quer religiosas e morais
(perda do sentido religioso do matrimônio à luz da Aliança
de Deus com o seu Povo; privação da graça do sacramento;
escândalo grave), quer também sociais (destruição do
conceito de família; enfraquecimento do sentido de fidelidade mesmo para
com a sociedade; possíveis traumas psicológicos nos filhos;
afirmação do egoísmo)”[94][94].
A Igreja mostra-se portanto sensível à proliferação
desses fenômenos de uniões não matrimoniais, devido
à dimensão moral e pastoral do problema.
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