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Testemunho do matrimônio cristão
(40) Os
esforços para obter uma legislação favorável
às uniões de fato de muitíssimos países de antiga
tradição cristã cria não pouca preocupação
entre pastores e fiéis. Poderia parecer que, muitas vezes, não se
sabe que resposta dar a este fenômeno e que a reação
é meramente defensiva, podendo dar a impressão de que a Igreja
simplesmente queira manter o statu quo,
como se a família matrimonial fosse simplesmente o modelo cultural (um
modelo “tradicional”) da Igreja que se quer conservar apesar das grandes
transformações da nossa época.
Diante disso, é preciso
aprofundar-se nos aspectos positivos do amor conjugal de modo que seja
possível voltar a inculturar a verdade do Evangelho, de modo
análogo a como o fizeram os cristãos dos primeiros séculos
da nossa era. O sujeito privilegiado dessa nova evangelização
são as famílias cristãs, porque elas são o sujeito
da evangelização, as primeiras evangelizadoras da “boa-nova” do
“amor formoso”[95][95] não só com a
sua palavra mas, sobretudo, com o seu
testemunho pessoal. É
urgente redescobrir o valor social da maravilha do amor conjugal, posto que o
fenômeno das uniões de fato não está à margem
dos fatores ideológicos que a obscurecem, e que correspondem a uma
concepção errada da sexualidade humana e da relação
homem-mulher. Daí a importância transcendental da vida de
graça em Cristo nos matrimônios cristãos: “A família
cristã também está inserida na Igreja, povo sacerdotal:
pelo sacramento do matrimônio, no qual está radicada e do qual se
alimenta, é continuamente vivificada pelo Senhor Jesus, e por Ele
chamada e empenhada no diálogo com Deus mediante a vida sacramental, o oferecimento
da própria existência e a oração. É este o
múnus sacerdotal que a família cristã pode e deve exercer
em comunhão íntima com toda a Igreja, através das
realidades quotidianas da vida conjugal e familiar. Nesse sentido a
família cristã é chamada a santificar-se e a santificar a
comunidade cristã e o mundo.”[96][96]
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