(18) Aqueles que se
ocupam de política deveriam estar conscientes da seriedade do problema.
A ação política atual tende no Ocidente, com certa
freqüência, a privilegiar os aspectos pragmáticos e a chamada
“política de equilíbrios”, sobre coisas muito concretas, sem
entrar na discussão dos princípios que possam comprometer
difíceis e precários compromissos entre partidos, alianças
ou coalizões. Mas ditos equilíbrios não deveriam, pelo
contrário, estar fundados com base na clareza dos princípios, na
fidelidade aos valores essenciais e na nitidez dos postulados fundamentais? “Se não existe nenhuma verdade última que
guie e oriente a ação política, então as
idéias e as convicções podem ser facilmente instrumentalizadas
para fins de poder. Uma democracia sem valores converte-se facilmente num
totalitarismo aberto ou dissimulado, como a história demonstra”[24][24].
A função legislativa corresponde à responsabilidade
política; neste sentido é próprio do político velar
(não só quanto aos princípios mas também quanto
às aplicações) para evitar uma deterioração,
com graves conseqüências presentes e futuras, da
relação lei moral-lei civil e da defesa do valor
educativo-cultural do ordenamento jurídico[25][25].
O modo mais eficaz de velar pelo interesse público não consiste
no cedimento demagógico a grupos de pressão que promovem as
uniões de fato, mas na promoção enérgica e
sistemática de políticas familiares orgânicas, que entendam
a família fundada no matrimônio como o centro e motor da
política social, e que cubram o extenso âmbito dos direitos da
família[26][26]. A este aspecto a Santa
Sé dedicou espaço na Carta dos direitos da Família,[27][27] superando uma
concepção meramente assistencialista do Estado.
|