|
V - Matrimônio cristão e união de fato
Matrimônio cristão e pluralismo social
(30) A Igreja, mais
intensamente nos últimos tempos, tem lembrado insistentemente a
confiança devida à pessoa humana, à sua liberdade,
à sua dignidade e aos seus valores, e a esperança que
provém da ação salvífica de Deus no mundo, que
ajuda a superar toda debilidade. Simultaneamente, tem manifestado a sua grave
preocupação face aos diversos atentados à pessoa humana e
à sua dignidade, fazendo também notar alguns pressupostos
ideológicos típicos da cultura chamada “pós-moderna”, que
tornam difícil compreender e viver os valores requeridos pela verdade
sobre o ser humano. Efetivamente, “não se trata já de contestações parciais e
ocasionais, mas de uma discussão global e sistemática do
patrimônio moral, baseada sobre determinadas concepções
antropológicas e éticas. Na sua raiz, está a
influência, mais ou menos velada de correntes de pensamento que acabam
por desarraigar a liberdade humana da sua relação essencial e
constitutiva com a verdade”[70][70].
Quando se produz esta
desvinculação entre a liberdade e verdade, “diminui toda a referência a valores comuns e a
uma verdade absoluta para todos: a vida social aventura-se pelas areias
movediças de um relativismo total. Então, tudo é convencional, tudo é negociável:
inclusivamente o primeiro dos direitos fundamentais, o da vida.”[71][71].
Trata-se também de um aviso certamente aplicável à
realidade do matrimônio e da família, única fonte
plenamente humana da realização desse primeiro direito. Quando se
aceita uma “corrupção do conceito e exercício da liberdade
concebida não como capacidade de realizar a verdade do desígnio
de Deus sobre o matrimônio e a família, mas como força autônoma
de afirmação, não raramente contra os outros, para atingir
o próprio bem-estar egoístico”[72][72].
|