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No cristianismo, o tempo tem uma importância fundamental. Dentro
da sua dimensão, foi criado o mundo, no seu âmbito se desenrola a
história da salvação, que tem o seu ponto culminante na «
plenitude do tempo » da Encarnação e a sua meta no regresso
glorioso do Filho de Deus no fim dos tempos. Em Jesus Cristo, Verbo
encarnado, o tempo torna-se uma dimensão de Deus, que em Si mesmo
é eterno. Com a vinda de Cristo, principiam os « últimos tempos »
(cf. Heb 1, 2), a « última hora » (cf. 1 Jo 2, 18), inicia
o tempo da Igreja que durará até à Parusia.
Desta
relação de Deus com o tempo, nasce o dever de o santificar. Tal
se verifica, por exemplo, quando se dedicam a Deus tempos específicos,
dias ou semanas, como já sucedia na religião da Antiga
Aliança, e acontece ainda, embora de modo novo, no cristianismo. Na
liturgia da Vigília Pascal, o celebrante, quando abençoa o
círio que simboliza Cristo ressuscitado, proclama: « Cristo, ontem e
hoje, Princípio e Fim, Alfa e Ómega. A Ele pertence o tempo e a
eternidade. A Ele a glória e o poder para sempre ». Pronuncia estas
palavras, enquanto grava no círio os algarismos do ano em curso. O
significado do rito é claro: põe em evidência que Cristo
é o Senhor do tempo; é o seu princípio e o seu
cumprimento; cada ano, cada dia e cada momento ficam abraçados pela sua
Encarnação e Ressurreição, reencontrando-se assim
na « plenitude do tempo ». Por isso, também a Igreja vive e celebra a
liturgia no espaço do ano. O ano solar fica assim permeado pelo ano
litúrgico, que, em certo sentido, reproduz todo o mistério da
Encarnação e da Redenção, começando do
primeiro domingo do Advento para terminar na solenidade de Cristo Rei, Senhor
do universo e da história. Cada domingo recorda o dia da
ressurreição do Senhor.
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