25.
Na preparação do ano 2000, têm um papel próprio a
desempenhar as diversas Igrejas locais, que, com os seus jubileus,
celebram etapas significativas na história da salvação dos
vários povos. Entre esses jubileus locais ou regionais,
constituíram eventos de suma grandeza o milénio do Baptismo da
Rússia em 1988,(11) com também os quinhentos anos do
início da evangelização no continente americano (1492). Ao
lado de acontecimentos de tão vasta incidência, sem chegarem todavia
a ter alcance universal, há que recordar outros não menos
significativos: por exemplo, o milénio do Baptismo da Polónia em
1966 e do Baptismo da Hungria em 1968, e ainda os 600 anos do Baptismo da
Lituânia em 1987. Além disso, ocorrerão proximamente os
1500 anos do Baptismo de Clóvis, rei dos Francos (496), e os 1400 anos
da chegada de Santo Agostinho a Cantuária (597), início da
evangelização do mundo anglo-saxónico.
No que respeita
à Ásia, o Jubileu trazerá ao pensamento o apóstolo
Tomé, que já ao início da era cristã, segundo a
tradição, levou o anúncio evangélico à
Índia, onde depois, por volta do ano 1500, chegariam de Portugal os
missionários. Ocorre este ano o VII centenário da
evangelização da China (1294), e preparamo-nos para comemorar a
difusão da obra missionária nas Filipinas com a
constituição da sede metropolita de Manila (1595), bem como o IV
centenário dos primeiros mártires no Japão (1597).
Em
África, onde também o primeiro anúncio remonta à
época apostólica, juntamente com os 1650 anos da
consagração episcopal do primeiro Bispo dos Etíopes, S.
Frumêncio (c. 340), e os quinhentos anos do início da
evangelização de Angola no antigo Reino do Congo (1491),
nações como os Camarões, a Costa do Marfim, a
República Centro Africana, o Burundi, o Burkina-Fasso estão a
celebrar os respectivos centenários da chegada dos primeiros
missionários aos seus territórios. Outras nações africanas celebraram-no há pouco.
Como não mencionar ainda as Igrejas
do Oriente, cujos antigos Patriarcas se apelam, tão de perto, à
herança apostólica e cujas venerandas tradições
teológicas, litúrgicas e espirituais constituem uma enorme
riqueza, que é património comum de toda a cristandade? As
múltiplas ocorrências jubilares destas Igrejas e das Comunidades,
que nelas reconhecem a origem da sua apostolicidade, evocam o caminho de Cristo
ao longo dos séculos e desembocam elas também no grande Jubileu
do fim do segundo milénio.
Vista sob esta luz, toda a história
cristã nos aparece como um único rio, onde muitos afluentes
lançam as suas águas. O Ano 2000 convida a encontrarmo-nos, com renovada
fidelidade e mais profunda comunhão, sobre as margens deste grande
rio: o rio da Revelação, do Cristianismo e da Igreja, que
corre através da história da humanidade a partir do sucedido em
Nazaré e depois em Belém, há dois mil anos. É
verdadeiramente aquele « rio » que com os seus « braços », segundo a
expressão do Salmo, « alegra a cidade de Deus » (4546, 5).
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