75. Sendo o domingo a
Páscoa semanal que evoca e torna presente o dia em que Cristo
ressuscitou dos mortos, ele é também o dia que revela o sentido
do tempo. Não tem qualquer afinidade com os ciclos cósmicos que,
segundo a religião natural e a cultura humana, poderiam ritmar o tempo,
fazendo crer talvez ao mito do eterno retorno. O domingo cristão
é diverso! Nascendo da Ressurreição, ele sulca os tempos
do homem, os meses, os anos, os séculos como uma seta lançada que
os atravessa, orientando-os para a meta da segunda vinda de Cristo. O domingo
prefigura o dia final, o da Parusia, já antecipada de algum modo
pela glória de Cristo no acontecimento da Ressurreição.
De facto, tudo
aquilo que suceder até ao fim do mundo será apenas uma
expansão e explicitação do que aconteceu no dia em que o
corpo martirizado do Crucificado ressuscitou pela força do
Espírito e se tornou, por sua vez, a fonte do Espírito para a
humanidade. Por isso, o cristão sabe que não deve esperar outro
tempo de salvação, visto que o mundo, qualquer que seja a sua
duração cronológica, já vive no último
tempo. Não só a Igreja, mas o próprio universo e a
história são continuamente dominados e guiados por Cristo
glorificado. É esta energia de vida que impele a criação —
esta « tem gemido e sofrido as dores do parto, até ao presente » (Rom
8,22) — para a meta do seu pleno resgate. Deste caminho, o homem pode ter
apenas uma vaga percepção; mas os cristãos possuem a chave
de interpretação e a certeza dele, constituindo a
santificação do domingo um testemunho significativo que eles
são chamados a dar, para que os tempos do homem sejam sempre sustentados
pela esperança.
|