III
– Estação
Jesus cai
pela primeira vez
V. Adorámus
te Christe et benedícimus tibi.
R. Quia per sanctam
Crucem tuam redemísti mundum.
Como então,
Senhor? Não Vos era lícito abandonar vossa Cruz? Pois se a carregastes até que
todas as vossas forças se exaurissem, até que o peso insuportável do madeiro
Vos lançasse por terra, não estava bem provado que Vos era impossível
prosseguir? Estava cumprido vosso dever. Os Anjos do Céu que levassem agora por
Vós a Cruz. Vós havíeis sofrido em toda a medida do possível. Que mais
haveríeis de dar?
Entretanto,
agistes de outro modo, e destes à minha covardia uma alta lição. Esgotadas
vossas forças, não renunciastes ao fardo, mas pedistes mais forças ainda, para
carregar novamente a Cruz. E as obtivestes.
É difícil
hoje a vida do cristão. Obrigado a lutar sem tréguas contra si, para se manter
na linha dos Mandamentos, parece uma exceção extravagante num mundo que
estadeia na luxúria e na opulência a alegria de viver. Pesa-nos aos ombros a
cruz da fidelidade à vossa Lei, Senhor. E, por vezes, o fôlego parece
faltar-nos.
Nestes
instantes de prova, sofismamos. Já fizemos quanto em nós estava. Afinal, é tão
limitada a força do homem! Deus terá isto em conta... deixemos cair a cruz à
beira do caminho e afundemos suavemente na vida do prazer. Ah, quantas cruzes
abandonadas à beira dos nossos caminhos, quiçá à beira dos meus caminhos!
Dai-me,
Jesus, a graça de ficar abraçado à minha cruz, ainda quando eu desfaleça sob o
peso dela. Dai-me a graça de me reerguer sempre que tiver desfalecido. Dai-me,
Senhor, a graça suprema de nunca sair do caminho por onde devo chegar ao alto do
meu próprio calvário.
Pater Noster.
Ave Maria. Gloria Patri.
V. Miserére
nostri Dómine. R. Miserére nostri.
V. Fidélium
ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace. R. Amen.
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