VIII
– Estação
Jesus consola
as filhas de Jerusalém
V. Adorámus
te Christe et benedícimus tibi.
R. Quia per
sanctam Crucem tuam redemísti mundum.
Não faltaram então
almas boas, que percebiam a enormidade do pecado que se praticava, e temiam a
justiça divina.
Não presencio
eu algum pecado assim? Hoje em dia, não é bem verdade que o Vigário de Cristo é
desobedecido, abandonado, traído? Não é bem verdade que as leis, as
instituições, os costumes são cada vez mais hostis a Jesus Cristo? Não é bem
verdade que se constrói todo um mundo, toda uma civilização baseada sobre a
negação de Jesus Cristo? Não é bem verdade que Nossa Senhora falou em Fátima
apontando todos estes pecados e pedindo penitência?
Entretanto,
onde está essa penitência? Quantos são os que realmente vêem o pecado e
procuram apontá-lo, denunciá-lo, combatê-lo, disputar-lhe passo a passo o
terreno, erguer contra ele toda uma cruzada de idéias, de atos, de viva força
se necessário for? Quantos são capazes de desfraldar o estandarte da ortodoxia
absoluta e sem jaça, nos próprios lugares onde pompeia a impiedade, ou a
piedade falsa? Quantos são os que vivem em união com a Igreja este momento que
é trágico como trágica foi a Paixão, este momento crucial da História, em que
uma humanidade inteira está escolhendo por Cristo ou contra Cristo?
Ah, meu Deus,
quantos míopes que preferem não ver nem pressentir a realidade que lhes entra
olhos a dentro! Quanta calmaria, quanto bem-estar miúdo, quanta pequena delícia
rotineira! Quanto saboroso prato de lentilhas a comer!
Dai-me,
Jesus, a graça de não ser deste número. A graça de seguir vosso conselho, isto
é, de chorar por nós e pelos nossos. Não de um choro estéril, mas de um pranto
que se verte aos vossos pés, e que, fecundado por Vós, se transforma para nós
em perdão, em energias de apostolado, de luta, de intrepidez.
Pater Noster.
Ave Maria. Gloria Patri.
V. Miserére
nostri Dómine. R. Miserére nostri.
V. Fidélium
ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace. R. Amen.
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