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Juan E. Vecchi
Reitor Mor
SDB
"Por vós estudo..."

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  • 4. Prioridade à qualificação dos irmãos
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4. Prioridade à qualificação dos irmãos

Eu concluía com as seguintes afirmações a parte dedicada à "Preparação dos irmãos", na Relação sobre o Estado da Congregação: "O estado de nossos recursos, a dimensão de nossos compromissos e o crescimento do mundo pedem-nos em todos os lugares um passo à frente na preparação cultural e na robustez dos irmãos e das comunidades. A perspectiva é, pois, de consolidar..., dar-se um tempo extraordinário para requalificar o pessoal, particularmente o pessoal dirigente, orientar para especializações o maior número possível de irmãos, melhorar, de acordo com a experiência feita, a práxis da formação inicial".

Era uma avaliação que eu sentia empenhativa, suscetível de interpretações nem sempre compreendidas, mas amadurecida sofridamente na oração. Surgia, de fato, como uma orientação de conseqüências fundamentais para o sexênio.

Hoje estou convencido de que devemos apostar nesse investimento prioritário e traduzi-lo em alguns esforços concretos, assumindo também as suas conseqüências aparentemente limitadoras. Impõe-se uma opção consciente da Congregação e das Inspetorias, que torne possível um salto de qualidade na forma de vida de cada irmão, na mentalidade e na práxis das comunidades e, como conseqüência, uma forma de orientar os objetivos inspetoriais. Não se trata de um leve retoque, mas de algo mais radical, embora não totalmente novo porque em muitas partes já se adentrou por esse caminho.

Sei que não é fácil viver em nível pessoal e traduzir em ação de governo o equilíbrio salesiano entre o "por vós estudo" e o "por vós trabalho", entre caridade e busca de qualidade pedagógica e pastoral. As urgências da missão, a escassez de pessoal, as novas oportunidades que nos são oferecidas, o multiplicar-se de projetos, elementos constantes na experiência salesiana e fruto positivo do Da mihni animas, levam-nos à audácia. E isso não deverá deixar de existir. Cuide-se, porém, que o trabalho não leve ao esgotamento, à repetitividade, à estagnação cultural, à dispersão mental, à improvisação.

Não é a primeira vez na história da nossa Congregação que se pensa em opções decisivas para uma mudança de práxis, em vista de exigências sentidas e em previsão de novas florescências, que parecem possíveis só em determinadas condições. Elas acontecem em fases de desenvolvimento necessariamente veloz e, prevenindo o esgotamento, preparam outras igualmente fecundas.

Quero recordar três intervenções, feitas em momentos históricos diversos, mas que no conjunto evidenciam a nossa mesma preocupação de hoje. As três estabelecem um critério e uma linha de ação para garantir a preparação dos irmãos e a qualidade na realização da missão educativa.

O Padre Rua, nos anos 1905-1906, propõe-se organizar e garantir a regularidade dos estudos dos jovens irmãos. São muitas as frentes de trabalho; o pessoal, embora em aumento, não é suficiente; os critérios do seu emprego nas obras remontam ao Fundador, mas a expansão da Congregação, como também as exigências da Igreja, tornam evidente a necessidade de uma mudança. Corre-se de fato o risco de sacrificar a formação às urgências das obras, abreviando o curso filosófico e o teológico.

É necessário, escreve o Padre Rua, "que regularizemos sempre mais as nossas coisas e que, para isso, coloquemos acima de qualquer aspiração, embora nobilíssima, a formação intelectual e moral dos nossos clérigos". Na prática, continua o Padre Rua, totalmente consciente das dificuldades que a opção causará, "propõe-se duas coisas:

Não propor ao Capítulo Superior, pelo menos por um quinquênio, a abertura de novas casas ou fundações, nem a ampliação das já existentes. Não podemos: eis tudo.

Passar atentamente em revista cada uma de vossas Casas e, vendo se e quais podem ser suprimidas para melhor regularizar as que ficarem na Inspetoria, fazer uma proposta a respeito ao Capítulo Superior. A nossa preocupação não deve ser o seu número, mas o seu funcionamento reto e regular". Ele retorna decididamente sobre a norma dada em uma carta de 1906.

Em 1928, intervém o Padre Rinaldi. As vocações aumentam de modo consolador (perto de 1000 noviços); as obras salesianas, especialmente as missões, desenvolvem-se num ritmo impressionante e se está constantemente diante de novos pedidos; os Inspetores não dispõem de pessoal para tantas obras e não poucas vezes se sacrificam os estudos, e com eles a formação dos jovens irmãos.

Diante da situação, consciente de que a missão não pode ser realizada sem a devida preparação, o Padre Rinaldi escreve nos Atos do Capítulo Superior de setembro de 1928: "Decidi, por isso, com a total aprovação do Capítulo Superior, que, durante o quadriênio 1929-1930-1931 e 1932, não se aceitem mais novas fundações nem de casas, nem de missões. A trégua, bem entendida pelos Inspetores e pelos Diretores, será um bem para as Inspetorias; trará tranqüilidade às Casas e tranqüilidade a todos os Irmãos; marcará um verdadeiro progresso para a nossa Sociedade, em vez de uma parada danosa, porque servirá para cultivar melhor as vocações e preparar a Congregação a desenvolver-se de modo mais sólido no futuro".

Completo a referência à nossa história, trazendo algumas expressões escritas pelo Padre Ricceri em 1966 na apresentação oficial dos documentos do CGXIX. Compreende-se facilmente o seu contexto. Apenas concluído o Concílio Vaticano Segundo, estava-se nos inícios da descoberta de novos horizontes e exigências pastorais, determinados pela estimulante visão da Igreja, da sua missão, da sua relação com o mundo. "Relacionada a essa exigência formativa - escreve o Padre Ricceri - há uma outra não menos importante, da qualificação de cada Irmão para as várias tarefas para as quais será chamado pela obediência. A sociedade recusa-se a inserir hoje em suas estruturas os genéricos, os homens sem especialização cultural, técnica, profissional... As pessoas, a Igreja, primeira entre todos, tem-nos por autênticos especialistas de pedagogia e de apostolado... Devemos o mais possível, responder a essa expectativa. ... Já não basta uma certa prática... Cada manifestação de nossa atividade está reclamando gente qualificada... Não se diz aqui para fazer coleção de títulos acadêmicos, de altas especializações, muito menos deseja-se encorajar uma corrida egoísta ou ambiciosa aos estudos para satisfação própria, mas estéril para o apostolado; pede-se apenas uma preparação verdadeiramente adequada para trabalhar com fruto em algum dos inumeráveis campos de ação aos quais a Providência nos chama. Entrevêem-se logo quais e quantas conseqüências provêm destas orientações para Superiores e Irmãos". "Será preciso fazer mais - escreve alguns meses depois nos Atos do Conselho - para dar a todas as atividades dos salesianos a qualificação que não é um luxo, mas uma necessidade sempre mais evidente, caso se deseje responder às exigências irrenunciáveis da nossa missão".

O período imediatamente anterior ao nosso, de outra parte, orientado pelo Padre Egídio Viganò, sublinhou a mesma emergência e deu passos eficazes para resolvê-la com a reorganização dos processos formativos, reformulados na Ratio, com a atualização dos programas de estudo, de acordo com a evolução de quase todos os ramos da teologia e do saber, com o início e a difusão da formação permanente e com a fundação de novos Institutos correspondentes a competências atuais (pastoral, comunicação social).




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