11.
Para enquadrar correctamente e entender melhor como se manifesta a união
colegial na acção pastoral conjunta dos Bispos duma zona geográfica, vale a
pena recordar, embora brevemente, que cada um dos Bispos, no seu serviço
pastoral ordinário, está em relação com a Igreja universal. De facto, é preciso
ter presente que a participação dos Bispos no Colégio Episcopal se exprime,
perante a Igreja inteira, não só através dos referidos actos colegiais, mas
também com a solicitude por ela que, embora não seja exercida por um acto de
jurisdição, contribui todavia sumamente para o bem da Igreja universal. Na
realidade, todos os Bispos devem fomentar e defender a unidade da fé e a
disciplina comum à Igreja inteira, e promover todas as actividades que são
comuns a toda a Igreja, sobretudo procurando que a fé se difunda, e nasça para
todos os homens a luz da verdade plena.(47) « Aliás, é certo que,
governando bem a própria Igreja, como porção da Igreja universal, concorrem
eficazmente para o bem de todo o Corpo místico, que é também o corpo das
Igrejas ».(48)
E não é só pelo
bom exercício do munus regendi nas suas Igrejas particulares que os
Bispos concorrem para o bem da Igreja universal, mas também com o desempenho
das suas funções de ensino e santificação.
Por certo, os
Bispos individualmente, enquanto mestres da fé, não se dirigem à comunidade
universal dos fiéis senão através dum acto de todo o Colégio Episcopal. De
facto, apenas os fiéis confiados ao cuidado pastoral dum Bispo é que devem
conformar-se com a decisão dada por ele, em nome de Cristo, em matéria de fé ou
costumes, aderindo à mesma com religioso obséquio de espírito. Na realidade,
quando os Bispos « ensinam em comunhão com o Romano Pontífice, devem por todos
ser venerados como testemunhas da verdade divina e católica »;(49) e o
seu ensinamento, enquanto transmite fielmente e ilustra a fé que se deve crer e
actuar na vida, é de grande utilidade para toda a Igreja.
E cada Bispo,
porque « administrador da graça do supremo sacerdócio »,(50) no
exercício da sua função de santificar, contribui grandemente também para a obra
eclesial de glorificação de Deus e santificação dos homens. Esta é uma obra de
toda a Igreja de Cristo, que actua em todas as legítimas celebrações
litúrgicas, realizadas em comunhão e sob a direcção do Bispo.
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