6. Teresa do Menino Jesus deixou-nos escritos
que justamente lhe mereceram a qualificação de mestra de vida
espiritual. A sua obra principal continua a ser a narração da sua
vida nos três manuscritos autobiográficos (Manuscritos
autobiográficos A, B e C), publicados antes com o
título, que bem depressa se tornou célebre, de História
de uma alma.
No Manuscrito A, redigido a pedido da irmã
Inês de Jesus, então Priora do mosteiro, e a ela entregue a 21 de
Janeiro de 1896, Teresa descreve as etapas da sua experiência religiosa:
os primeiros anos da infância, especialmente o evento da sua primeira
Comunhão e da Crisma, a adolescência, até ao ingresso no
Carmelo e à sua primeira profissão de votos.
O Manuscrito B, redigido durante o retiro espiritual do
mesmo ano a pedido da sua irmã, Maria do Sagrado Coração,
contém algumas das páginas mais belas, mais conhecidas e citadas
da Santa de Lisieux. Nelas se manifesta a plena maturidade da Santa, que fala
da sua vocação na Igreja, Esposa de Cristo e Mãe das
almas.
O Manuscrito C, escrito no mês de Junho e nos
primeiros dias de Julho de 1897, a poucos meses da sua morte, e dedicado
à Priora Maria de Gonzaga, que lho tinha pedido, completa as
recordações do Manuscrito A sobre a vida no Carmelo. Estas
páginas revelam a sabedoria sobrenatural da autora. Deste período
final da sua vida, Teresa traça algumas experiências
altíssimas. Dedica páginas comoventes à prova da
fé: uma graça de purificação que a imerge numa
longa e dolorosa noite escura, que se ilumina pela sua confiança no amor
misericordioso e paterno de Deus. Mais uma vez, e sem se repetir, Teresa faz
brilhar a cintilante luz do Evangelho.
Encontramos aqui as páginas mais belas por ela
dedicadas ao confiante abandono nas mãos de Deus, à unidade entre
amor de Deus e amor do próximo, à sua vocação
missionária na Igreja.
Nestes três manuscritos diversos, que coincidem
numa unidade temática e numa progressiva descrição da sua
vida e do seu caminho espiritual, Teresa entregou-nos uma autobiografia
original que é a história da sua alma. Dela transparece como foi
a sua existência, na qual Deus ofereceu uma precisa mensagem ao mundo,
indicando uma via evangélica, a «pequena via», que todos podem
percorrer, porque todos são chamados à santidade.
Nas 266 Cartas que conservamos, enviadas aos
familiares, às religiosas, aos «irmãos» missionários,
Teresa comunica a sua sabedoria, desenvolvendo um ensinamento que constitui, de
facto, um profundo exercício de direcção espiritual das
almas.
Fazem parte dos seus escritos também 54 Poesias,
algumas das quais de grande dimensão teológica e espiritual,
inspiradas na Sagrada Escritura. Entre estas merecem uma menção
especial Viver de Amor!... (P 17) e Porque te amo, ó Maria!
(P 54), síntese original do caminho da Virgem Maria segundo o Evangelho.
Devem ser acrescentadas a esta produção 8 Recreações
piedosas: composições poéticas e teatrais, idealizadas
e representadas pela Santa para a sua comunidade, por ocasião de algumas
festas, segundo a tradição do Carmelo. Entre os outros escritos
deve-se recordar uma série de 21 Orações. Nem se
pode esquecer a écloga das suas palavras, pronunciadas durante os
últimos meses de vida. Essas palavras, de que se conservam várias
redacções, são conhecidas como Novissima verba, e
também com o título de Últimos Colóquios.
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