11. Todas estas razões
são testemunho claro da actualidade da doutrina da Santa de
Lisieux e da particular incidência da sua mensagem sobre os homens
e as mulheres do nosso século.
Concorrem, além disso, algumas
circunstâncias que tornam ainda mais significativa a sua
designação como Mestra para a Igreja no nosso tempo.
Antes de tudo, Teresa é uma mulher que, ao
aproximar-se do Evangelho, soube colher riquezas escondidas com aquela
consistência e profunda ressonância vital e sapiencial, que
é própria do génio feminino. Ela emerge, pela sua
universalidade, na plêiade das mulheres santas que resplandecem pela
sabedoria do Evangelho.
Teresa é, depois, uma contemplativa.
No escondimento do seu Carmelo viveu a grande aventura da
experiência cristã, até conhecer a largura, o comprimento,
a altura e a profundidade do amor de Cristo (cf. Ef 3, 18-19). Deus quis
que não permanecessem escondidos os Seus segredos, mas habilitou Teresa
a proclamar os segredos do Rei (cf. Manuscrito C, 2 v). Com a sua vida,
Teresa oferece um testemunho e uma ilustração teológica da
beleza da vida contemplativa, como total dedicação a Cristo,
Esposo da Igreja, e como afirmação viva da primazia de Deus sobre
todas as coisas. A sua é uma vida escondida, que possui uma arcana
fecundidade para a dilatação do Evangelho e impregna a Igreja e o
mundo com o bom odor de Cristo (cf. Letras 169, 2 v).
Teresa de Lisieux, por fim, é uma jovem.
Atingiu a maturidade da santidade em plena juventude (cf. Manuscrito C,
4 r). Desse modo, ela propõe-se como Mestra de vida evangélica,
particularmente eficaz ao iluminar os caminhos dos jovens, aos quais compete
ser protagonistas e testemunhas do Evangelho junto das novas
gerações.
Teresa do Menino Jesus é não só a
mais jovem Doutora da Igreja, mas também a mais próxima de
nós no tempo, como que a sublinhar a continuidade com que o
Espírito do Senhor envia à Igreja os seus mensageiros, homens e
mulheres, como mestres e testemunhas da fé. Com efeito, quaisquer que
sejam as variações, que se possam constatar no curso da história
e não obstante as repercussões que elas costumam ter na vida e no
pensamento das pessoas de cada época, não devemos perder de vista
a continuidade que une entre si os Doutores da Igreja: eles continuam, em
qualquer contexto histórico, testemunhas do Evangelho que não
muda e, com a luz e a força que lhes vêm do Espírito,
tornam-se seus mensageiros voltando a anunciá-lo na sua pureza aos
contemporâneos. Teresa é Mestra para o nosso tempo, sedento de
palavras vivas e essenciais, de testemunhos heróicos e críveis.
Por isso ela é amada e acolhida também por irmãos e
irmãs das outras Comunidades cristãs e até por quem nem
sequer é cristão.
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