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Ioannes Paulus PP. II
Divini amoris scientia

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9. A principal fonte da sua experiência espiritual e do seu ensinamento é a Palavra de Deus, no Antigo e no Novo Testamento. Ela mesma o confessa de modo especial, pondo em relevo o seu apaixonado amor pelo Evangelho (cf.Manuscrito A, 83 v). Nos seus escritos contam-se mais de mil citações bíblicas: mais de quatrocentas do Antigo e mais de seiscentas do Novo Testamento.

Apesar da preparação inadequada e da falta de instrumentos para o estudo e a interpretação dos livros sagrados, Teresa imergiu-se na meditação da Palavra de Deus com uma fé e uma vivacidade singulares. Sob o influxo do Espírito conseguiu, para si e para os outros, um profundo conhecimento da revelação.

Com a sua concentração amorosa na Escritura - teria querido conhecer até o hebraico e o grego para compreender melhor o espírito e a letra dos livros sagrados - fez ver a importância que as fontes bíblicas têm na vida espiritual, pôs em evidência a originalidade e o vigor do Evangelho, cultivou com sobriedade a exegese espiritual da Palavra de Deus, tanto do Antigo como do Novo Testamento. Descobriu assim tesouros escondidos, apropriando-se de palavras e episódios, às vezes não sem audácia sobrenatural como quando, ao ler os textos de Paulo (cf. 1 Cor 12, 13), intuiu a sua vocação ao amor (cf. Manuscrito B, 3 r - 3 v). Iluminada pela Palavra revelada, Teresa escreveu páginas geniais sobre a unidade entre o amor de Deus e o amor do próximo (cf. Manuscrito C, 11 v - 19 r) e identificou-se com a oração de Jesus na Última Ceia, como expressão da sua intercessão para a salvação de todos (cf. Manuscrito C, 34 r - 35 r).

A sua doutrina coincide, como já se disse, com o ensinamento da Igreja.

Desde quando era criança, foi educada pelos familiares para a participação na oração e no culto litúrgico. Em preparação para a sua primeira confissão, para a primeira Comunhão e para o sacramento da Confirmação, demonstrou um amor extraordinário pelas verdades da fé, e aprendeu o Catecismo quase palavra por palavra (cf. Manuscrito A, 37 r - 37 v). No fim da sua vida escreveu com o próprio sangue o Símbolo dos Apóstolos, como expressão da sua união de espírito, sem reservas, à profissão de fé.

Além de com palavras da Escritura e com a doutrina da Igreja, Teresa nutriuse desde quando jovem com o ensinamento da Imitação de Cristo que, como ela mesma confessa, sabia quase de cor (cf. Manuscrito A, 47 r). Foram determinantes para a realização da sua vocação carmelitana os textos espirituais da Madre Fundadora, Teresa de Jesus, especialmente os que expõem o sentido contemplativo e eclesial do carisma do Carmelo teresiano (cf. Manuscrito C, 33 v). Mas de modo muito especial Teresa nutriu-se com a doutrina mística de São João da Cruz, que foi o seu verdadeiro mestre espiritual (cf. Manuscrito A, 83 r). Portanto, não é para maravilhar se na escola destes dois Santos, posteriormente declarados Doutores da Igreja, também ela, óptima discípula, se tenha tornado Mestra de vida espiritual.




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