3. Um Papa, filho de um povo eslavo, sente
particularmente no coração o apelo daqueles povos aos quais se
dirigiram os dois santos irmãos Cirilo e Metódio, exemplo
glorioso de apóstolos da unidade, que souberam anunciar Cristo na
procura da comunhão entre Oriente e Ocidente, embora no meio das
dificuldades que já, por vezes, contrapunham os dois mundos. Várias
vezes me detive sobre o exemplo das suas acções 6, dirigindo-me
também a todos aqueles que são seus filhos na fé e na
cultura.
Estas
considerações desejam agora alargar-se para abraçar todas
as Igrejas Orientais, na variedade das suas diferentes tradições.
Aos irmãos das Igrejas do Oriente vai o meu pensamento, com o desejo de
procurarmos juntos a força de uma resposta às
interrogações que o homem, hoje, lança em todas as
latitudes do mundo. Ao seu
património de fé e de vida quero dirigir-me, consciente de que o
caminho da unidade não pode conhecer hesitações, mas
é irreversível como o apelo do Senhor à unidade.
«Caríssimos, temos esta tarefa comum: devemos dizer juntos, o Oriente
com o Ocidente: Ne evacuetur Crux! (cf. 1 Cor 1, 17). Não se desvirtue a
Cruz de Cristo, porque, se se desvirtua a Cruz de Cristo, o homem perde as
raízes, já não tem perspectivas: destrói-se! Este
é o grito no final do século XX. É o grito de Roma, o
grito de Constantinopla, o grito de Moscovo. É o brado de toda a
cristandade: das Américas, da África, da Ásia, de todos.
É o grito da nova evangelização» 7.
Às Igrejas do Oriente dirige-se o meu
pensamento, como numerosos outros Papas o fizeram no passado, sentindo
dirigido, antes de mais, a si mesmos o mandato de manter a unidade da Igreja e
de procurar incansavelmente a união dos cristãos onde tivesse
sido dilacerada. Um laço particularmente estreito já nos une.
Temos em comum quase tudo 8; e sobretudo temos em comum o anelo sincero da
unidade.
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