21. As Igrejas Orientais que entraram na plena
comunhão com esta Igreja de Roma quiseram ser manifestação
de tal solicitude, expressa segundo o grau de amadurecimento da
consciência eclesial naquele tempo 57. Entrando na comunhão
católica, elas não tinham de modo nenhum a intenção
de renegar a fidelidade à sua tradição, que testemunharam
secularmente com heroísmo e muitas vezes pagando com o sangue. E se,
às vezes, nas relações com as Igrejas Ortodoxas, se
verificaram equívocos e abertas contraposições, todos
sabemos que devemos invocar incessantemente a misericórdia divina e um
coração novo capaz de reconciliação, para
além de qualquer afronta sofrida ou infligida.
Várias vezes foi reafirmado que a
já realizada união plena das Igrejas Orientais Católicas
com a Igreja de Roma não deve comportar para elas uma
diminuição na consciência da própria autenticidade e
originalidade 58. No caso de isto se ter verificado, o Concílio Vaticano
II exortou-as a redescobrir plenamente a sua identidade, tendo elas «o direito
e o dever de se regerem segundo as próprias disciplinas peculiares,
enquanto se recomendam por veneranda antiguidade, são mais conformes aos
costumes dos seus fiéis e resultam mais aptas a buscar o bem das almas»
59. Estas Igrejas trazem na sua carne uma dilaceração
dramática, porque é ainda impedida uma comunhão total com
as Igrejas Orientais Ortodoxas, com as quais, contudo, partilham o
património dos seus pais. Uma conversão constante e comum
é indispensável, para que elas procedam decididamente e com
desassombro para a compreensão recíproca. E conversão
é pedida também à Igreja Latina, para que respeite e
valorize plenamente a dignidade dos Orientais, e acolha com gratidão os
tesouros espirituais de que as Igrejas Orientais são portadoras para
proveito da inteira comunhão católica 60; mostre concretamente,
muito mais do que no passado, quanto estima e admira o Oriente cristão e
quanto considera essencial o seu contributo para que seja vivida plenamente a
universalidade da Igreja.
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