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Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais
Communio et progressio

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  • TERCEIRA PARTE EMPENHO DOS CATÓLICOS NO CAMPO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
    • CAPíTULO SEGUNDO BENEFíCIOS QUE PODEM PRESTAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO AOS CATÓLICOS
      • 1. OPINIÃO PÚBLICA, E MÚTUA COMUNICAÇÃO NA VIDA DA IGREJA
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CAPíTULO SEGUNDO

BENEFíCIOS QUE PODEM PRESTAR
OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO AOS CATÓLICOS

1. OPINIÃO PÚBLICA, E MÚTUA COMUNICAÇÃO NA VIDA DA IGREJA


114. A Igreja esforça-se por aumentar e aprofundar os elos de união entre os fiéis; para o quê é indispensável a comunicação e o diálogo entre os católicos. Por outro lado, a Igreja faz parte da sociedade humana; o que implica, além do mais, por razões tiradas da sua própria natureza, que se estreitem pelo diálogo, os laços e as relações com essa comunidade. Cumpre esta obrigação, informando e ouvindo atentamente a opinião pública, dentro e fora da Igreja, e procurando um diálogo contínuo com o mundo contemporâneo, participando, assim, na resolução dos problemas do homem de hoje.

[ETYML-S/RC:paragrafo.a]

a) Diálogo no seio da Igreja

115. Como corpo vivo, a Igreja necessita duma opinião pública para alimentar o diálogo entre os seus membros, condição do progresso no seu pensamento e acção. "... com a ausência da opinião pública, faltar-lhe-ia qualquer coisa de vital, e a culpa recaíria tanto sobre os Pastores como sobre os leigos". (2)

116. Por isso, é necessário que os católicos se consciencializem daquela verdadeira liberdade de expressão de pensamento que o "sensus fidei" e a caridade lhe conferem: o "sensus fidei", que é estímulo e força do Espírito da Verdade, que os faz aderir, em união e sob a guia do Magistério, à da Tradição-adesão profunda, e, por isso mesmo contínuo aprofundamento e aplicação na vida prática; (3) e a Caridade, que eleva aquela liberdade à comunhão na própria liberdade de Cristo, redentor que libertando-nos do pecado, nos tornou livres de tudo julgarmos segundo a sua vontade. As autoridades responsáveis favoreçam e procurem que exista na Igreja, graças à liberdade de expressão e de pensamento, uma troca legítima de opiniões. Estabeleçam, portanto, as normas e condições necessárias a este fim. (4)

117. É muito vasto o campo em que o Diálogo, no interior da Igreja, se deve desenvolver. É certo que as verdades da pertencem à própria essência da Igreja, e não podem, de nenhum modo, ser deixadas à interpretação arbitrária dos indivíduos. Contudo, a Igreja está encarnada na história humana; deve adaptar-se às circunstâncias particulares de tempo e de lugar; deve procurar a melhor maneira de expôr as verdades da às diferentes épocas e culturas e adaptar a sua acção às condições sempre mutáveis dos tempos. Em união leal com o magistério, cada um dos católicos pode e deve, portanto, comprometer-se, numa investigação livre, para melhor interpretar as verdades reveladas e melhor as poder apresentar aos diversos grupos em evolução. Este diálogo livre no seio da Igreja não prejudica a unidade, a solidariedade entre os fiéis; pelo contrário, favorece a concórdia e o encontro das diversas correntes de pensamento, através do confronto de pareceres dentro da opinião pública. Mas, para que este progresso se processe como convém, é necessário que reine a caridade, mesmo nos casos de diferença de pontos de vista e opiniões. Neste diálogo, todos devem procurar e desejar servir e consolidar a união e cooperação, animados pela vontade de construir e não de destruir. Movidos por um profundo amor à Igreja e zelo de unidade, lembrar-se-ão que Cristo fez da unidade o sinal distintivo da verdadeira Igreja e dos verdadeiros discípulos. (5)

118. Por esta razão, é necessário distinguir claramente dois campos: o campo da investigação científica, em que as pessoas verdadeiramente competentes gozam da liberdade necessária para o seu trabalho e do direito de comunicar aos outros o resultado da sua investigação; e o campo da instrução dos fiéis, em que só se pode propôr, como doutrina da Igreja, as verdades reconhecidas como tais pelo Magistério autêntico, ou pelo menos consideradas como ensinamento seguro. Contudo, dada a própria natureza dos meios de comunicação social, acontece por vezes virem, prematuramente, ao conhecimento do público, novas opiniões de teólogos. Os fiéis, portanto devem fazer uso nesses casos do seu sentido crítico, para não confundir estas opiniões com a doutrina autêntica da Igreja, apercebendo-se, além disso, que o verdadeiro significado destas opiniões pode também ser deturpado pelo estilo próprio de certos meios de informação.

119. Assim como é essencial o desenvolvimento da opinião pública na Igreja, assim também é necessária a cada fiel a possibilidade de encontrar as condições indispensáveis para poder desempenhar um papel activo na vida da Igreja. Na prática, significa ter acesso aos meios de comunicação social, não só aos de grande difusão, mas até aos que poderemos caracterizar de "católicos"; estes últimos podem ser criados onde se julgue necessário, contanto que desempenhem dignamente o seu papel.

120. O desempenho de responsabilidades na Igreja e a própria vida exigem uma corrente contínua de informação entre as autoridades eclesiásticas - de qualquer grau que seja - e os fiéis, e vice-versa, para o que são necessários diversos organismos, dotados dos meios indispensáveis: conselhos pastorais, secretariados de imprensa, serviços de informação.

121. Sempre que os assuntos a tratar exigem segredo, na Igreja, devem ser observadas as regras gerais em uso nas instituições civis. Por outro lado, os valores espirituais, próprios da Igreja, exigem que as notícias dadas sobre as suas intenções e actividades se distingam pela integridade, verdade e abertura. Se, porém, as autoridades religiosas não querem ou não podem fazê-lo, dão ocasião a boatos que servem mais para alimentar a curiosidade do que para esclarecer a verdade. Portanto, o segredodeve ser guardado para preservar o bom nome, ou os direitos de indivíduos ou grupo.

b) Diálogo Igreja-Mundo

122. 0 diálogo da Igreja dá-se não só no seu âmbito, entre os fiéis, mas com todos os homens. Deve manifestar a sua doutrina e modo de vida, em virtude do mandato divino (6) e do direito à verdade que têm todos os homens, cujo destino ela partilha na terra. Além disso, como ensina o Concílio Vaticano II, deve a Igreja "ler os sinais dos tempos", que são modos empregados por Deus para nos falar, e marcos que sinalizam a História da Salvação. Portanto, a Igreja deve saber como reagem os nossos contemporâneos, católicos ou não, aos acontecimentos e correntes de pensamento actual. Os meios de comunicação social contribuem para esse conhecimento que a Igreja deseja ter, na medida em que referem e divulgam estas respostas.

123. Quem ocupa posições responsáveis na Igreja deve anunciar plena e integralmente a verdade, pelos meios de comunicação, e esforçar-se por dar uma imagem autêntica da vida da Igreja. Como estes meios, muitas vezes, são a única fonte e meio de informação entre a Igreja e o mundo, descuidá-los seria enterrar os talentos dados por Deus. A Igreja espera que as agências de notícias e os próprios meios de comunicação, se esforçarão por tratar de assuntos religiosos, com todo aquele cuidado que a natureza da matéria exige. Por sua vez, ela própria fornecerá a estes organismos informações completas, exactas e verdadeiras, para que estes estejam à altura de poder desempenhar a sua função.

124. O que acima foi dito (7) sobre a necessidade do comentário na difusão da notícia, aplica-se agora, com mais razão, no que se refere à informação sobre a vida da Igreja. Donde se segue que os responsàveis na Igreja deverão prever esta exigência, não seja caso que se fique à mercê da improvisação e iniciativa de outros. Convém, portanto, que as decisões importantes sejam dadas a conhecer primeiro a certas pessoas, que as não divulgarão antes do tempo estabelecido, para que possam, em seguida, ser explicadas e esclarecidas metòdicamente, para bem da Igreja.

125. Os meios de comunicação social, portanto, prestam um tríplice serviço à Igreja: possibilitam a sua manifestação ao Mundo; promovem, no seio da mesma Igreja, o diálogo; finalmente, põem-na ao corrente da mentalidade dos homens de hoje, aos quais ela deve anunciar o Evangelho, mas usando uma linguagem compreensível ao mundo e partindo da problemática que agita o género humano.






2) Pio XII: Alocução aos Participantes do Congresso Internacional de escritores de revistas, dia 17 de Fevereiro 1950. A.A.S., XVII (1950), pg. 256.


3) Cf. Lumen Gentium, 12.


4) Cf. "Réflexions et suggestions concernant le dialogue oecuménique". L'Osservatore Romano, 21-22 de Setembro 1970.


5) Cf. Jo. 17, 21.


6) Cf. Mt. 28, 19.


7) Cf. n. 38.





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