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Identidades e minorias nacionais
10. As tragédias que marcaram o século XX e afligem ainda hoje milhões de pessoas pelo mundo afora, demonstram como o campo da identidade cultural e sua evangelização são um fator decisivo para o futuro da Igreja e da sociedade. Se a sua unidade de natureza constitui todos os homens membros de uma única grande comunidade, o caráter histórico da condição humana faz-lhes necessariamente ligados de modo mais intenso a grupos particulares: desde a família até às nações. A condição humana é colocada assim entre estes dois pólos o universal e o particular em tensão vital particularmente fecunda, se é vivida no equilíbrio e na harmonia. O fundamento dos direitos das nações não é outro que a pessoa humana. Neste sentido, estes direitos não são nada mais que os direitos do homem considerados a este nível específico da vida comunitária. O primeiro destes direitos é o direito à existência. « Ninguém nem um Estado, nem outra nação, nenhuma organização internacional pode jamais considerar legitimamente que uma particular nação não é digna de existir ».(15) O direito à existência implica naturalmente, para cada nação, o direito à sua própria língua e à sua cultura. É através delas que um povo exprime e defende sua soberania singular.
Se os direitos da nação traduzem as exigências da particularidade, é importante também sublinhar as exigências da universalidade, com os deveres que dela resultam para cada nação com relação às outras e para com toda a humanidade. O primeiro de todos é sem dúvida nenhuma o dever de viver em uma atitude de paz, respeitosa e solidária às outras nações. Formar as novas gerações para viver sua própria identidade na diversidade é uma tarefa prioritária da educação à cultura, dado que freqüentemente grupos de pressão não deixam de utilizar a religião para fins políticos que lhe são estranhos. Ao mesmo tempo, a pastoral da cultura apoia-se sobre o Dom do Espírito de Jesus e do seu amor que « são destinados a todos e cada um dos povos e culturas para os unir entre si à imagem daquela perfeita união que existe em Deus Uno e Trino » (Ecclesia in America, n. 70).
Ao contrário do nacionalismo carregado de desprezo, e até mesmo de aversão às outras nações e culturas, o patriotismo é o amor e o serviço legítimos, privilegiados, mas não exclusivos, ao seu próprio país e à sua cultura, distante tanto do cosmopolitismo quanto do nacionalismo cultural. Cada cultura é aberta ao universal naquilo que tem de melhor. Ela é chamada também a se purificar da sua parte na herança de pecado, inscrita em certos preconceitos, costumes e práticas opostas ao Evangelho, a enriquecer-se com o contributo da fé e a « enriquecer a própria Igreja universal com novas expressões e valores » (cf. Redemptoris Missio, n. 52 e Slavorum Apostoli, n. 21).