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A gestão das
exportações agrícolas
9. Em muitos Países em via
de desenvolvimento, até as modalidades com que as políticas
agrárias administraram a
exportação dos produtos agrícolas favoreceram muitas vezes
o processo de concentração da propriedade da terra nas
mãos de poucos.
Para alguns produtos foram
adoptadas políticas de controle dos preços, favoráveis
às grandes empresas agro-industriais e aos cultivadores de produtos para
a exportação, mas que penalizaram os pequenos cultivadores de
produtos agrícolas tradicionais.(9) Outras políticas
orientaram todo o sistema das infra-estruturas e dos serviços
prevalentemente segundo os interesses dos grandes agricultores. Em outros casos
ainda, as políticas fiscais em relação à
agricultura facilitaram os lucros de certos grupos de proprietários
pessoas físicas particulares ou sociedades de capital e permitiram
amortizar, em tempos relativamente breves, os investimentos fixos, sem prever
impostos progressivos ou consentindo de qualquer maneira uma fácil
evasão fiscal. Houve, finalmente, políticas
que, facilitando o crédito da agricultura, distorceram as
relações de preço entre capital fundiário e
trabalho.
Encorajou-se,
deste modo, um processo de acumulação baseado sobre o
investimento em terra.
Deste processo foram excluídos os pequenos agricultores, muitas vezes
à margem do mercado da terra.
O aumento dos preços da
terra e a diminuição da procura de trabalho, devido à
mecanização das operações da cultura
agrícola, tornam difícil aos pequenos agricultores, quando
não estão associados, o acesso ao crédito de longo prazo e
portanto a aquisição de terra.
10. O objectivo de prosseguir a
redução do débito internacional através da
exportação pode levar a uma
diminuição do nível de bem-estar dos pequenos
agricultores, que muitas vezes não cultivam produtos para exportar.
As carências do
serviço público de formação agrícola
não consentem a estes agricultores, que se dedicam por necessidade a uma
agricultura prevalentemente de subsistência recorrendo a práticas
tradicionais, adquirir a preparação técnica
necessária para realizar correctamente as operações
culturais requeridas pelos novos produtos. As dificuldades
que os pequenos agricultores, escarsamente integrados com o mercado, encontram
no acesso ao crédito limitam a sua possibilidade de adquirir os factores
de produção que as novas técnicas exigem. O pouco
conhecimento do mercado não lhes permite ser informados sobre o
andamento dos preços dos produtos e obter a qualidade que a exportação exige.
Nas pequenas propriedades, o
cultivo dos produtos para a exportação,
incentivada pelo mercado, acontece muitas vezes em detrimento dos produtos
destinados em grande parte ao auto-consumo e, por isso, expõe a
família agrícola a fortes riscos. Se o andamento da
estação ou as condições de mercado são
desfavoráveis, a família do pequeno agricultor pode entrar na
espiral da fome e acumular dívidas que a constringem a perder a
propriedade da sua terra.
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