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Violência e
cumplicidade
12. A história de muitas
áreas rurais tem sido caracterizada frequentemente por conflitos, injustiças
sociais e formas de violência não controladas.
A élite fundiária
e as grandes empresas empenhadas na
exploração dos recursos minerais e das madeiras não
hesitaram, em muitas ocasiões, em instaurar um clima de terror para
abafar os protestos dos trabalhadores, obrigados a ritmos de trabalho desumanos
e remunerados com salários que muitas vezes não cobrem as
despesas de transporte, alimentação e alojamento. O mesmo clima
se tem instaurado para vencer os conflitos com os pequenos agricultores que cultivam
há muito tempo terras do Estado ou outras terras, ou para se apropriar
das terras ocupadas pelos povos indígenas.
Nestas lutas utilizam-se
métodos intimidatórios, provocam-se prisões ilegais e, em
casos extremos, pagam-se grupos armados para destruir os bens e as colheitas,
para tirar poder aos líderes das comunidades e desembaraçar-se de
pessoas em vista, como aqueles que tomam a defesa dos débeis, entre os
quais se devem recordar também muitos responsáveis da Igreja.
Os representantes do poder
público, muitas vezes, são directamente
cúmplices destas violências. A impunidade aos executores e aos
mandatários dos crimes é garantida por deficiências na administração da justiça e pela
indiferença de muitos Estados para com os instrumentos jurídicos
internacionais relativos ao respeito dos direitos humanos.
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