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Pontifício Conselho "Justiça e Paz"
Para uma melhor distribuição da terra

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  • CAPÍTULO II A MENSAGEM BÍBLICA E ECLESIAL SOBRE A PROPRIEDADE DA TERRA E SOBRE O DESENVOLVIMENTO AGRÍCOLA
    • A perspectiva de liberdade do Jubileu
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A perspectiva de liberdade do Jubileu

26. O esforço de ligar estável e perpetuamente a propriedade da terra ao seu dono e, ao mesmo tempo, o esforço de distribuir equitativamente as terras entre todas as famílias de Israel estão na origem de uma das instituições sociais mais singulares daquele povo: o Jubileu (cf. Lv 25). (17) Esta instituição traduz directamente no plano social e econômico a senhoria de Deus e pretende afirmar, ou defender, três liberdades.

A primeira liberdade diz respeito aos campos e às casas que, no ano jubilar, devem voltar aos antigos proprietários. Campos e casas podem-se vender, mas a venda é simplesmente uma passagem dos direitos de utilização permanecendo firme o direito do proprietário (ou de um parente) de resgatar em qualquer momento o seu fundo. Em todo o caso, de cinquenta em cinquenta anos, as propriedades alienadas voltarão às antigas famílias.

A segunda liberdade diz respeito às pessoas que, no ano do Jubileu, devem regressar livres às suas famílias e às suas propriedades.

A terceira liberdade diz respeito à terra que, no ano do Jubileu e no ano sabático, deve ser deixada a repousar por um ano.

Particularmente interessante é a motivação destas três liberdades: « Porque eu sou o Senhor vosso Deus » (Lv 25,17); « A terra é minha e vós sois como estrangeiros e inquilinos na minha casa » (Lv 25,23). A motivação básica, portanto, é o senhorio de Deus, um senhorio que se manifesta no dom aos homens: « Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos fez sair do país do Egipto, para vos dar o país de Canaan, para ser o vosso Deus » (Lv 25,38).

A propriedade da terra segundo a doutrina social da Igreja

27. Na perspectiva delineada pela Sagrada Escritura, a Igreja elaborou ao longo dos séculos a sua doutrina social. Documentos autorizados e significativos ilustram os seus princípios fundamentais, os critérios para o juízo e discernimento, as indicações e orientações para escolhas oportunas.

Na doutrina social, o processo de concentração da propriedade da terra é julgado um escândalo porque em nítido contraste com a vontade e o desígnio salvífico de Deus, enquanto nega a grande parte da humanidade o benefício dos frutos da terra.

As perversas desigualdades na distribuição dos bens comuns e das oportunidades de desenvolvimento de cada pessoa e os desequilíbrios desumanizantes nas relações individuais e colectivas, provocados por semelhante concentração, são a causa de conflitos que minam as bases da convivência civil e provocam a ruptura do tecido social e a degradação do ambiente natural.




17) Cf. João Paulo II, Tertio millennio adveniente, cit., nn. 12-13.






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