|
Os investimentos em
serviços e infra-estruturas públicos
50. Contemporaneamente à
realização de serviços e de infra-estruturas de interesse
directo para a produção agrícola, os programas de reforma
agrária devem prever significativos investimentos na
saúde, na instrução, nos transportes públicos, no
abastecimento de água potável.
Nas áreas rurais dos
Países pobres, estes serviços e
infra-estruturas sociais apresentam profundas carências, em termos
quantitativos e qualitativos. As suas possibilidades de desenvolvimento
são bastante limitadas pela insuficiente capacidade da
população destas áreas de influenciar as
opções políticas e pelo facto de que uma quota relevante
dos custos deveria pesar, directa ou indirectamente, isto é, através
do instrumento fiscal, sobre a propriedade rural.
Estes serviços, fundamentais num sistema
de vida moderno, são, por outro lado, uma componente
indispensável e um factor de desenvolvimento do bem-estar. Eles
representam, por isso, um factor-chave do desenvolvimento sustentável.
A sua utilidade não se
limita aos agricultores e seus familiares, mas beneficia toda a
população, criando as condições necessárias
para uma diferenciação das actividades produtivas, por um
crescimento do rendimento geral produzido localmente e por uma consequente
contenção do fenómeno do despovoamento.
A presença adequada destes
serviços é, portanto, uma condição
necessária para a luta contra a pobreza das
áreas rurais e para limitar os custos econômicos e sociais da
urbanização. Através da reforma agrária deve-se,
portanto, realizar todos os esforços para aumentar nos campos a acessibilidade, a disponibilidade, a aceitabilidade e a
conveniência dos serviços públicos e das infra-estruturas
de utilidade pública.
Isto vale em particular para a
saúde: o acesso às estruturas sanitárias de base e aos
hospitais, uma vasta educação sanitária e a
disponibilidade dos remédios simples e
econômicos são de extrema importância para reduzir a
mortalidade e o índice de doenças.
51. A propósito de
serviços, deve-se reservar a máxima prioridade às
intervenções tendentes a garantir, por igual aos homens e
às mulheres, o acesso à escola elementar e a
extensão da escolarização até aos níveis
secundário e superior.
Nestas condições,
de facto, a instrução e a formação profissional
não só oferecem a cada indivíduo os meios para poder
desenvolver o máximo possível as suas próprias
potencialidades, mas tornam-se também os factores determinantes da
mudança de atitudes e comportamentos, necessária para poder
enfrentar, sem custos excessivos, a complexidade do mundo de hoje. Poder-se-ia
superar assim a ideia que leva a considerar a instrução como uma despesa de simples consumo e
não como um investimento social.
|