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Um apoio efectivo à
cooperação
53. Nos programas de reforma
agrária deve-se prestar grande atenção à
função decisiva desempenhada pela cooperação no
apoio ao início e desenvolvimento das empresas agrícolas
originadas pela re-distribuição da terra.
Estas empresas
têm de enfrentar, muitas vezes em relação ao mercado,
problemas complexos.
Por causa da grande multidão de pessoas que estão em
condições de poder aspirar à atribuição da
terra, na grandíssima maioria dos casos a
dimensão das empresas não permite um emprego profícuo de
algumas tecnologias, tais como, por exemplo, as tecnologias necessárias para
aliviar o trabalho dos campos. É difícil para
estas empresas poder dispor dos principais factores de produção,
dos quais muitas vezes não existe um mercado local, ou então,
quando há uma sua oferta, têm preços particularmente
elevados. Graves são, sobretudo, as dificuldades
que tais empresas encontram na
comercialização dos seus produtos. Na maior parte dos casos a
comercialização é controlada por poucos comerciantes
locais ou não é possível porque, como acontece com os
produtos novos, especialmente se destinados a serem transformados, não
existe localmente uma procura para eles.
54. Numa tal realidade, a cooperação
representa um instrumento de solidariedade capaz de oferecer
soluções eficazes. Nas suas várias
formas — cooperativas de serviço, de provisão, de transformação,
de comercialização — a cooperação permite realizar,
conforme as necessidades, uma mais completa utilização das
máquinas, uma eficaz concentração da procura de factores
de produção e da oferta de produtos. Ela
torna-se, por isso, fonte de economia de escala e de formas de poder de mercado
que conferem uma importante vantagem competitiva às empresas associadas
e pode conduzir à abertura de novos mercados para os seus produtos.
A cooperação
constitui um instrumento precioso para permitir às empresas,
particulares ou cooperativas, nascidas da reforma, a mudança da
composição da sua produção e, particularmente, a
produção de produtos para a exportação sem desvantagens para a economia local.
É muito necessário,
além disso, prever, no âmbito de uma reforma agrária, a
promoção e o apoio à construção de bancos
locais cooperativos que se proponham a concessão de empréstimos
às famílias de baixos rendimentos e às mulheres, para
favorecer a prática da agricultura, as actividades artesanais e
também o consumo. Uma rica experiência demonstra que estes micro-bancos podem representar um instrumento eficaz
para o fortalecimento das novas empresas e para a luta contra a pobreza.
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